CORRIDA: MAIS NOVO DESAFIO E PRIMEIRO PÓDIO

Em novembro de 2015 eu contava AQUI minha primeira corrida de rua e o início de algo que não sairia tão fácil assim dos meus dias. Novos amigos que fiz correndo, mais algumas poucas provas, um  namoro que começou correndo e mais tantos significados que posso atribuir a liberdade de pegar um tênis a qualquer hora e CORRER.

Muitas vezes não é fácil, chego cansada e com fome, ou ainda frio, ou é tarde, ou ninguém vai correr, e então penso, hoje não vou e pronto, para logo em seguida vestir a roupa separada no dia anterior para não ter desculpa. Correr, além de me trazer saúde, traz paz, determinação, alegria. Me sinto mais disposta e todas as palavras já ouvidas em revistas e artigos de corrida, sim, é tudo verdade. Vicia, energiza, enriquece. Eu tenho um trabalho que adoro, mas muitas vezes chego esgotada e já é tarde da noite, ainda moro na praia, então não sobram muitas atividades para descansar, relaxar ou direcionar minha energia ou atenção. Correndo, dedico este tempo só para mim, para meus pensamentos, para meu bem estar e cuidado, me sinto viva e FELIZ. Mesmo sendo o dia difícil, frustrações, tristezas, tudo vai embora ao me sentir exausta a plenos pulmões. 
Sempre fui uma pessoa com nada de disciplina nem determinação e zero agilidade para a maioria dos esportes, sendo a minha vontade e curiosidade o que na maioria das vezes me leva além, mas sempre senti, mesmo em outros setores da minha vida a falta de persistência e rotina, diligência mesmo. Frente a menor dificuldade eu abandonava o barco. 

Correr me trouxe paciência e vem melhorando minha concentração e determinação. Sem disciplina, sem correr todo dia ou com algum treino programado, vejo que não consigo meus objetivos e isso transpasso para minhas outras atividades: esforço =  resultado, simples assim. 

Meus quilos extras ainda não foram, minha saúde ainda não é 100%, mas ontem consegui MEU PRIMEIRO PÓDIO, e estava muito, muito especial.
Quando me inscrevi na corrida, através do grupo no celular, não pensei muito, já havia participado de outras corridas, mas em grupo seria MUITO MAIS DESAFIADOR. Algumas semanas antes da prova o nervoso começou a tomar conta, já que eu não conhecia parte das gurias e meu tempo sempre se mostrava enorme nos treinos. Queria colaborar com o time e não fazer feio, nem precisava de um tempo muito bom, mas me sentiria mal se prejudicasse o resultado. Comecei a incomodar todo mundo para treinar comigo, pedi dicas, marcava o tempo sem descanso, com descanso, e corri mesmo na chuva, com a ajuda da minha outra parceira do grupo, a Lili, que me levou a completar 10km nunca antes feitos, outra alegria. Um dia antes da prova ainda corri com uma nova amiga da internet, ela conhecia o percurso da prova e me levou com paciência para experimentar a corrida antes da prova. O sábado também estava animado, já que tivemos a reunião para explicar sobre o revezamento, e adorei ter ido, além de ter me divertido com as meninas, vi que seria um encontro de integração, participação, troca e alegria com pessoas cheias dessa energia boa do esporte. 

Quando terminou tudo, eu não acreditei. Corri no meu ritmo inicial, contei 2km e apertei. O certo como era uma prova curta era apertar desde o início mas sei da minha limitação de velocidade e condicionamento e escutei a dica, segura no início pra depois dar o teu máximo. Minha respiração estava super bem e eu tentava pensar e escutar só ela, mas pensava: deus meu, é um monte, falta muito, estou em última, devo apertar? devo descansar? não, não quero água, obrigada, por que eu vim com essa saia que está subindo? e se eu deixar cair o bastão? esse branco do bastão está me deixando tonta, cadê a Rafa? e se eu não aguentar? Então avistei a rafa e sinalizei que estava chegando então me empolguei e corri tipo corrida de estafeta antiga na escola, tipo fugir da chuva ou fugir de um ladrão, essa eu só imagino, mas enfim, você corre o mais rápido que pode, isso em 100m, eu duvido que estafeta tinha tudo isso, e eu era a última, aliás, nem era porque nem me escolhiam de tão ruim e eu tinha que me contentar com cabo de guerra porque eu era bem forte, então entreguei o bastão e a Rafa voou. Sentei então no chão mesmo, as gurias tiraram foto, eu estava exausta mas lembrei que tinha que voltar pra pegar o carro: 2km!!!!!E correndo, porque se não a Rafa e a Raíssa teriam que ficar esperando, então corri e não parava de falar, numa euforia infantil, aí lembrei de pegar o relógio do Strava e ver meu tempo. Eu tinha conseguido, VINTE E TRÊS MINUTOS, com um pace  médio de 5:43, coisa que eu nunca tinha alcançado nem no treino de maior rendimento na vida. Então pedi pra Raíssa ver pra mim, que da outra vez eu havia ligado o aplicativo e desligado dois dias depois o que deu uma kilometragem incrível de carro e muitas risadas lendo os comentários (nossa, você correu tudo isso?) e a vergonha de desmentir e parecer a pessoa mais desligada do mundo. 
Seguimos de carro até os pontos, até a Praia do Laranjal e eu estava falando sem parar, estávamos todas muito felizes, todas tínhamos ido muito bem 

Quando cheguei no ponto de premiação e as gurias me disseram que estávamos em terceiro, eu não acreditei até subirmos lá em cima, podiam ter errado o resultado eu não queria me iludir. Mas comemorei com um sorriso aberto, tínhamos conseguido!!!!! 

O mais legal de tudo é pensar, caramba, sou eu mesma. Consegui.

O plano agora é...continuar correndo. Nem pensar em desistir por causa do frio. nem chuva.nem falta de companhia. nem dor, nem cansaço, nem trabalho demais. É alcançar os 21km. Quizá uma maratona. Quem duvida? 






Comentários

Postagens mais visitadas