E agora, como é que faz?

Um longo tempo de silêncio, porém não menos agitado em minha mente. O viver é um eterno fluxo, e no meu caso, mesmo nas calmarias, o fluxo se assemelha a um leito de rio caudaloso, cheio de pedras de diversos tamanhos, algumas facilitando a passagem, outras deixando dúvida por qual caminho seguir, outras simplesmente obstruindo o percurso.
O ano começou com minha viagem de bicicleta, uma experiência forte e esclarecedora. Mas no meu retorno me deparei com poucas aulas, já que estava todo mundo de férias, então tive que me esforçar muito para seguir pagando minhas contas e ainda precisei me reinventar bastante para seguir com o meu negócio, já que eu havia acabado de abrir meu próprio espaço. Mas para minha surpresa os alunos voltaram, novos apareceram, mas sempre a necessidade de estarmos em movimento.
Eu também peguei gosto pela corrida e para motivar os treinos me inscrevi em algumas provas e descobri uma nova atividade e paixão a qual me ocupar. No velejo tive o convite para participar de uma perna até São Lourenço, algumas boas horas navegando (8h) e uma experiência nova e renovadora, mesmo que leve algum bom tempo para eu entrar nesse mundo náutico, é nele que quero ficar. Neste meio tempo meus horários explodiram e experimento a sensação de ter a agenda cheia e pouco tempo para todo o resto. Chamo isso de vida organizada desorganizadamente. Consegui ir visitar os amigos em Porto Alegre e retornei por poucos minutos a escalada. Muita coisa e pouca coisa ao mesmo tempo.
O ano mal começou, estamos nas águas de março, e a inconsistência de meus planos me incomodam, mas escrever me ajuda a entender tudo melhor. Seguir em frente é fácil, observando o fluxo, mas mudar o fluxo é o complicado, ou aceitar o fluxo, ou mesmo desejar o fluxo. Eu estou numa fase estranha de me perguntar o que vale a pena e o que não vale, o que eu quero e o que eu não quero, se vai dar tempo para o que importa.
O tempo é o bem mais precioso que temos, e ele ao invés de me sossegar me perturba. Se ele não me acompanhar e não me permitir realizar tudo que eu gostaria? Se ele escorrer minhas possibilidades e me trancafiar numa realidade ou num fluxo que não consigo mais sair? Se essas pedras ficarem mais e mais altas a ponto de eu não conseguir mais removê-las?
Para mim, a realidade imaginada estável é isso, um acomodar de pedras, colocadas uma a uma, parecem nos proteger das tempestades, mas na verdade elas nos trancafiam em um espaço minúsculo de água nos impedindo o acesso a um maravilhoso oceano de possibilidades.
Onde estarão as viagens sonhadas? Os abraços calorosos? Os sorrisos fáceis? As tardes de inverno com amigos? A casa comunitária, com horta, com bichos e com amor?
Onde estarão os meus sonhos, como alcançá-los e quais são eles?
Qual o caminho que eu pego para chegar lá?









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