Como vai a vida?

Muitas vezes me pergunto como vai tudo, como está a mudança, como vai essa história de 100 itens, na minha casa e na minha cabeça. E não está, ou está indo, com o perdão do gerúndio, como todo fluxo, de paz no fluxo, como disse uma aluna explicando tudo mais o que se pode desejar.

Minha casa miniatura tá lá, eu cá, sem quarto, mas uma gostosura. O melhor de tudo é descobrir a falta de pressa, o não está ainda, o vai ficar. A varanda tá um pandemônio, ainda tem caixa, ainda tem coisa pra jogar fora, papel que não serve mais, pregos e parafusos para dar fim, e como tudo, vai no seu tempo, vai que dá, eu não tenho pressa. Final de semana é desculpa pra cortar grama e plantar pimentões e compostagem é minha mais nova paixão e descoberta, e, pasmem, era meu assunto de MESTRADO, acreditem. Mas como a prática é toda a vida superior a melhor academia, eu estou aprendendo com meu sogro, com meus alunos e no Curso de Hortas, sim, eu me dei ao luxo de reservar um final de semana mágico para um curso de hortas, no Sítio Amoreza, um dos lugares mais mágicos de Amor e Natureza para se visitar. Um rio caudaloso e cristalino, prática de yoga, comida vegana e uma boa desintoxicação para uma professora de yoga comedora de pipoca de caramelo, pessoas do bem, por um bem comum, uma prosa maravilhosa e um bem viver sem igual.

Mas voltando ao meu projeto de casa, eu ainda tenho um monte de coisa pra resolver, arrumar, dar cabo, ajeitar, está longe de estar como deveria ou poderia, está longe dos 100 itens, mas já tem coisas bem legais e vamos a elas.

Eu tenho só um armário de roupas, mas tenho ainda roupas de verão para arrumar e ao meu ver ainda tenho muitos sapatos. Eu tenho uma luminária linda e minha sala/casa é bem colorida: amarela, preta e branca na cozinha e um sofá, ah, meu sofá. Me desculpem, mas meu sofá é dos sonhos e foi produto da venda dos meus outros móveis, eu troquei tudo por um sofá, não fiz bem? Para não pensarem que vivo com isopor e fogo de chão (seria legal, hein) eu tenho geladeira da casa e fogão embutido, lareira, televisão e ganhei um DVD. Máquina de lavar roupas. Viram, um monte de coisa. E uma secadora não instalada, outras providências a serem pensadas, instalar? Vender? Arrumar? Minha cama ainda é a antiga e ainda estou com o projeto da cama suspensa de madeira, estava esperando passar o inverno e toda a mudança para dar uma respirada e pensar direito nessa opção. E na rua ainda tenho uma mesa enorme de madeira.

O maravilhoso de tudo isso é o autoconhecimento que traz, é o processo, é o mudar. Eu me dei conta como é preciso ter paciência, persistência, determinação e mesmo disciplina para ter uma nova realidade na vida da gente, para se ter um plano, um resultado diferente. O colocar a mão na massa, o ter o planejamento, o reservar um tempo para. Eu tenho elegido prioridades diferentes na vida, tenho gostado de outras coisas, e acho que tudo isso tem a ver com a casa, tem a ver com esse processo todo. O estar em mim, quieta, no meu universo particular, o descobrir meu SATHYA, minha verdade, minha essência. Antes minha maior missão, alegria, prazer e ocupação era viajar para escalar, mesmo escalando devagar, o devagar e SEMPRE era meu maior ofício. Eu me entediava no mesmo lugar, eu não gostava do dia a dia, não achava graça na conexão, na entrega, no persistir, seja no lugar, seja com as pessoas. O cuidar me angustiava, e o viver parecia ser estar em movimento. Eu hoje aprecio o movimento, o sentir a vida pulsar, o vento no rosto, o desconhecido, novo, mas consegui visualizar que para isso ter sentido e realmente ser novo e apreciado o dito normal deve ser curtido, vivenciado, amado, até. Para mim, deixo bem claro. O chegar em casa e passar um café, sentar em silêncio com os cachorros e seus olhares cúmplices, o caminhar na praia, o trabalhar o dia todo, o dinheiro certo ao final do mês, o conversar do final do dia, os domingos já não solitários.

Com a casa na praia, bem pertinho, eu descobri o velejar. O subir no barco, mãos no leme, escota forte, manejando as velas, pela primeira vez sozinha, talvez tenha sido um dos dias mais felizes da minha vida. Eu descobri ali um substituto, talvez temporário, para as montanhas. O vento forte, o desafio e a auto superação, o aprendizado, a independência, a aventura. O rosto completamente molhado e os pés encharcados e insensíveis pelo frio, a roupa inadequada, o sentar desajeitado na popa com o corpo ainda acostumando a um ambiente totalmente desconhecido. O linguajar difícil e o único um pouco familiar são os nós das cordas, ops, dos cabos. Quando estou na lagoa, me sinto viva, pulsante, descobrindo um novo mundo, mesmo sentimento familiar ao ir pela primeira vez na Casa de Pedra em Bagé, um mar de montanhas do pampa, e todas as outras tantas idas pra lá, ou pra Caçapava e Minas do Camaquã. Quando subi o Escalavrado na chuva, inexperiente, ou ainda tentei a Italianos, ao meio dia, ou com sucesso escalei uma via inteira no Babilônia e na Urca, sentindo a plenitude de um dia de sol. Me sinto aventureira, como na primeira vez e as 3x depois, no Morro do Anhangava, ou no Morro da Cruz, Alfredo Wagner, Pedreira do Abrãao, Canastra, Baú, Pedra da Divisa, e tantos outros lugares lindos impossíveis de enumerar, comparar ou reviver. Uruguay, Itacolomi, tão recente, Ivoti, sempre meu favorito, Pedreira de Pelotas, a qual não tenho muito apreço, não sei porque, outros não lembro o nome, indo para Laguna, uma outra no Paraná, difíceis, tantas aventuras, tantas idas, tantos amigos, tantas recordações.

Mas a vida segue, sempre reinventando, aproveitando, descobrindo, estranhando sim, a gente muda e, como na casa box, custa a se recolocar, custa a se entender, custa a colocar tudo no lugar. Tudo é uma questão de perspectiva, de olhar positivamente e de sempre esperar e prever o melhor. Quanta coisa a gente ainda vai viver de legal, o tanto de sentimento bom por descobrir, por aprender, não precisamos ter medo do novo, nem de mudar. O colocar as coisas de lado permite um monte de coisa nova entrando outra vez, permite experienciar coisas inimagináveis, inatingíveis na nossa cabeça antiga. O se permitir sem medo de viver o impensado e improvável pode trazer muita coisa boa mesmo no início parecendo o caos na terra.

 
Se alguém me perguntar se mudar é um mar de rosas, eu sorrio e lembro dos dias com vontade de entrar nas caixas de papelão, com medo da vistoria, com medo do dinheiro, com medo das obras da casa antiga, da casa nova, com medo de não dar conta de nada. Mas é só lembrar da minha primeira tarde na casa, sem luz, com meia dúzia de roupas, sentada de calça xadrez e óculos azul, com a cama no chão, e bate misteriosamente um amigo de infância e sua esposa, não sabiam que era minha casa, gostaram dos cachorros e pararam, entraram, minhas primeiras visitas, e me encheram de sorte, de alegria, de certeza de estar no caminho certo, o caminho de LUZ, que atrai mais LUZ, e de todas amigos, família e amores mandando boas vibrações e curtindo junto minhas conquistas.


Um desejo de bons ventos a todos e de serenidade nas tempestades, e abaixo algumas fotos de uma longa caminhada que nunca será esquecida e que sempre trará fôlego, coragem e alento para OUSAR  e VIVER MAIS, VIVER PARA SER!
#paznofluxo












 
 

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