Vida Simples

Eu ando numa fase tão diferente, tão legal...não é demagogia, nem propaganda falsa de rede social, mas se descobrir tranquila e feliz do jeito que você está eu acho que é a maior serenidade do mundo. Brabo é quando a gente passa os dias se perguntando, e isso é recorrente na vida, tenho várias fases assim inclusive, se está tudo certo, tudo como deveria estar, se não poderíamos estar mais felizes, mais isso, mais aquilo. Ou naqueles dias que a gente teima em olhar o passado, ou imaginar o futuro, ou ainda o colega do lado, e a mente dá aquela teimada dizendo que óbvio que a grama do passado ou a do vizinho está BEM melhor. Pura farsa. Vejo que não temos o controle de nada, se já foi desse jeito, já foi, e claro estamos fazendo e fizemos o melhor que a gente pode mesmo achando que não.
Então me vejo exatamente onde deveria estar, com muitos erros e acertos, com um trabalho maravilhoso que amo, com uma realidade pintada em cores, claro, muitas vezes esta realidade se disfarçada de cinza, mas tenho tido um certo êxito em, com força de vontade, colorir tudo outra vez.
Contando assim parece que atingi a iluminação, um belo dia sentei em baixo de uma figueira do laranjal, e, como Buda, descobri a perfeição, paciência e felicidade plena. Eu nem preciso dizer sobre isso, não é. Putz, é um exercício diário. Ou acharam que era fácil? Mas te digo que têm sido maravilhoso descobrir como somos capazes de viver de uma maneira muito maravilhosa, leve, produtiva. Por vezes, desestabilizamos, então cabe a nós escolher os caminhos e seguir em frente.
Prova disso é meu escalar, escalar, escalar.
Sempre presente, sempre vivo, seja em interesses, em amigos, em vida pura, e agora meu namorado resolveu entrar nessa e conhecer esse meu deleite. Amanheceu um domingo não ensolarado, mas sufocante. Pelotas é uma cidade muito, muito úmida. Um mate, um café, eu com medo dele ter desistido, arrumei minha mochila pequena, minha bolsa de corda, com cuidado pra não esquecer de nada. Juro, fazia 50 graus no sol. Preparei uma bolsa com umas águas geladas e vi um mosquetão já enferrujado de alguns meses sem uso. Vesti uma calça jeans bem velha, eu adoro escalar de jeans e uma blusa de lycra fresca. Cabelos numa colinha, já prontos para serem sujos de magnésio, e um capacete pra prevenir sustos e lesões. Chegando lá tinha gente na pedreira, mas nem dei bola, uma vez que era só um casal, sempre estão lá e sempre fazem as mesmas vias, eu teria todas as outras pra mim. O importante também era familiarizar o Roger com a situação, com a segue, ambiente, corda. Subimos até as vias, não tem trilha (ufa) e tiramos a parafernália pra escalar, corda, tudo, e comecei explicações básicas. Minha felicidade era imensurável. Senti o desconforto dele, mas senti uma confiança e uma alegria imensa. Eu não sei bem se isso é amor, cumplicidade, mas me senti infinitamente bem por ele ter generosamente se disposto a conhecer algo tão novo e ainda sem entender bem porque, me dei conta como me sinto e amada e protegida a seu lado. Ao redor realmente não me importava, como em muitas outras situações me importaria, a via não importava, não ter ido até o final para não apavorá-lo não importava, assim como escalar pouco tempo me importava menos ainda. Eu não precisava provar nada pra ninguém e também não precisava ter o controle da situação,  pois sua personalidade forte me deixava livre para escalar e ser quem sou, com todas minhas fragilidades, emoções, imaturidades, dúvidas e inseguranças. Ele me deixava forte.
Então comecei a juntar tudo dentro da mochila, o calor havia molhado meus cabelos, blusa, calça e sapatilhas, meus braços encharcados. Mãos com cheiro tão saudoso de magnésio, unhas finalmente do jeito que estou acostumada, e pés descalços, do jeito que sempre me comporto na montanha. Feliz, sempre? Infelizmente, ou felizmente, não. Viver é sempre um eterno recomeço, é um eterno exercício, uma eterna evolução e lição, mas uma coisa é certa, somos sempre a melhor versão de nós mesmos. Namaste.
 
 
 
#TBT PEDREIRA

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