Volvamos a las síncronias (Marcela Serrano en: El Albergue de las Mujeres)


Crescer não significa mudar necessariamente seus hábitos, mas aprender com eles, o que eles dizem de você. Eu tenho uma vida de amor e raiz com o Uruguai, assim com i e com y. Minha família paterna é de lá, e desde que voltei pra morar no sul, meu caso de amor cresce e cresce, minhas visitas esporádicas estreitaram e simplesmente moro praticamente nesse país. Me organizo pra viajar pra longe de novo, mas minha fase de trabalho, casa e projetos me levam a dirigir 3 horinhas somente e estar lá. Entre curtas viagens de escalada, praia, mate e amigos são sempre uma boa pedida, descansar entre Benedetti e um escurecer as nove da noite, tango, pizza e patrícias, conversas a beira da lareira em pleno verão, sempre, sempre me renova. O ano novo não poderia ter sido diferente. É como estar em família, já enraizei essa maneira de cruzar o ano. Eu estava o mês de dezembro lá, então voltei pra o ano novo, viajamos entre amigas, sempre bom. Mulheres e homens, e isso é algo pra mim como verdadeiro e recente, precisam de um tempo assim, só pra eles, adolescendo e entre amigos, SOZINHOS. Mesmo que isso possa parecer imaturidade ou solteirisse pra alguns, eu vejo mesmo entre casais como seria mais alegre e uma verdadeira terapia se cada indivíduo reservasse um tempo para isso, para ser ele mesmo entre amigos, para resgatar seus prazeres individuais e intransferíveis. Então aluguei uma casinha encravada no meio das dunas de Barras de Valizas e mais 2 quartos com vista pro mar e pras dunas de Cabo Polônio. Minha amiga argentina chegou de Porto Alegre as 4 da manhã, preparamos um mate e com minha vizinha e sua amiga dirigimos até lá, onde Tati e Érica já nos esperavam na praia. Mesmo sem dormir, caminhamos pelo pueblo, corremos pra praia e tratamos de jantar ao som de tango. Um assassinato tinha acontecido na nossa rua, ou melhor, com uma menina com sua suposta casa na trilha para o nosso reduto. Mas eu permanecia alheia a toda e qualquer perturbação. Artesanato por todo lado, encontrei alguns amigos e curti um bom sol. O mar estava azulzinho, do jeito que eu precisava, e o sol com uma chuvinha refrescante vez por outra coroava nosso descanso. Naturalmente, nosso grupo de mulheres se dividia, algumas dormiram, outras conversavam com os rapazes, outras jantavam em um restaurante novo, e eu caminhei então pela praia até o sol raiar, chegando no colorido da varanda perto das sete da manhã. Girei a chave uma vez, duas e me acomodei na rede, exausta, sem conseguir abrir a porta. 15 anos outra vez. O outro dia já era o último do ano. Mais um dia de sol, praia e movimento. O branco nas roupas em peles torradas pelo sol uruguaio em sintonia com nossos sorrisos e brincos coloridos, cabelos compridos e molhados, e informais sandálias rasteirinhas, dignas de um ano novo na praia. Combinamos um restaurante, em seguida que um temporal lavou o pueblo, as ruas e as almas...indício de um ano assim, limpo de passado e velhas recordações, amarras e ranços. Abracei minha champagne freixenet branca, pronta pra brindar 365 novos dias e me diverti a muerte com tati, érica, cris, richard e javier além de todos simpáticos e curiosos uruguaios do bar. Fogos, brindes e candombes, caminhamos um pouco até encontrar uma multidão celebrando. cumprimentei os amigos de ontem e logo vi o que o tarot me mostrava naquela tarde da minha amiga cigana: minha desatenção, desinteresse e introspecção, muita coisa parecia alheia a meu mundo naquela hora. Segui caminhando distraída com meu copo na mão, meu vestido branco e uma conversa animada com minha amiga, encontro um amigo, encontro do dia anterior. Sempre me animo com pessoas com a habilidade de despertar alegria, e me alegro com conversas inteligentes, e Pedro é isso, pra nossa sorte, então tardamos ali dançando, entre vários novos amigos, além da já conhecida dona do lugar, La Fraterna, uma cooperativa inteligente de 15 amigos, com boa música, boa comida e wifi. Começo a sentir fome e um cansaço insuportável, duas noites sem dormir e alguns brindes, além da hora e do dia já chegando, uma lentilha com Pedro parece ser uma boa pedida. Caminhamos tranquilamente pra casa e me pergunto se ainda há lugares como este, onde se consegue caminhar sem medo e sem pressa seja pela manhã ou pela noite. Conseguimos mais um dia na casa alugada e comemoramos então brindando a amizade, a alegria e o mar nos esticando preguiçosamente na praia. De chapéu, livro e biquíni, olho não acreditando no presente à minha frente. Uma areia branca se mexendo com um vento fraco, um sol forte, mas acolhedor, e um mar azul piscina com uma água fria perfeita para uma óbvia hangover de ano novo. Começo o ano acreditando então nesses presentes, nesses recomeços eternos, nesses aprendizados entre amigos. Estar onde se quer estar, onde o vento te leva, onde se aprende, se fortalece, para novos rumos. Cada incerteza pode estar certa e o aprender é o mais alegre do caminho. 2014, gracias. 2015, gracias a tí! 


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