RESSACA DO CALDEIRÃO

Entre mochilas e pranchas, sento em meu sofá azul que abraça. Empurro a prancha amarela e o remo pra longe da televisão pra conseguir sentar com um ventinho no rosto pra descansar pro meu ônibus com partida tarde da noite. Meu coração apertado lembra dos últimos dias e eu penso, eu só posso estar velha, louca e bem sentimental, uma dorzinha forte e vontade de estar com todo mundo outra vez. Talvez seja a tal maturidade, que dá uma intensidade maior as coisas de real e absoluta importância. Vivemos de maneira apaixonada tudo que nos faz bem, nos faz rir e nos transforma. Levanto,  sirvo uma água gelada e acerto de cabeça as contas do mês, já que passarei o mês inteiro viajando. Mentalizo e revivo o domingo e o sábado e também a sexta. Meus amigos e eu dirigindo a noite,  chega, monta a barraca, campeonato no outro dia, escalada, mais escalada até a noite, piscina, festa e ainda yoga, a volta engraçada com as pranchas, as cumplicidades, amizades, abraços, coisas imples, mas nada poderia ter sido melhor. Quantos de nós podemos viver momentos como esses? 

O Caldeirão do Behne é um evento anual no Campo Escola Behne, produzido pela AGM e conta com uma série de eventos, comemorações, reencontros, escalada na piscina, e escalada na rocha. Já é o terceiro que participo, o segundo como Professora de Yoga, e nem preciso dizer como tudo tava maravilhoso. Um aulão no domingo de arrepiar, e no sábado um dia todo escalando. Pra nem comentar da jantinha com balada de noite. Bom demais.

Confiro ansiosa o relógio, ajeito o biquini e distraída amarro o cabelo bem no alto pronta pra estrear a prancha na lagoa perto de casa, mas sem querer sinto o aperto no peito outra vez, já impaciente e choroso. Me dou conta que as vezes pensamos ter uma completa superficialidade e superioridade em nossos sentimentos, então viajamos, conversamos e experienciamos as situações com os amigos e chegamos em casa e percebemos como cada um leva um pouco de nós e deixa muito, muito de si, com toda profundidade e intensidade, mas nem um pouco superficial. Uma conversa no olho, uma troca de pensamentos e ideias. Um aperto de mão na saída da via, com toda motivação e alegria, a escalada de noite com as melhores companhias. As risadas com as amigas que eu vejo uma vez por mês e pareço ter visto ontem. Rir de doer o estômago, dançar mesmo cansada do dia, jantar sabendo as novidades de quem mora longe, tomar vinho na garrafa de cerveja igual adolescente e se estender na barraca sozinha, suja e de roupa, com meu saco de dormir rasgado e por cima de tudo ao redor só pra sentir a melhor sensação de desprendimento do mundo. 
Vejo então o Charrua entrando sorrateiro dentro da sala e volto a minha gostosa realidade, um calor forte na rua e eu agradecida de estar morando na praia...troco duas palavras com meu amigo de porto alegre, tudo voltou ao normal, a rotina, cada um as suas normalidades e trivialidades, as suas famílias e trabalho, acordar a seis da manhã, aos seus consultórios e escritórios. Parece tudo tão distante mas muito presente,  acomodo a mochila menor na cadeira da sala, já pronta pra sair e abro a torneira da horta, couves e cenouras murchas e um brinquedo de borracha entre os alfaces. Uma vida inteirinha segue cheia de boas recordações e animada com todos os bons momentos por vir. Viva o CALDEIRÃO, AS VIAGENS, A ESCALADA E AS BOAS AMIZADES! 



















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