Uma yogue renegada

Meu primeiro retiro foi um retiro budista, há alguns anos atrás, na ilha de florianópolis, uma tatuagem novinha no pulso doendo pra caramba e uma cabecinha inquieta demais junto a uma espiritualidade latente. Muitos anos depois cá estou eu como Professora de Yoga, Doutora em Oceanografia, em férias dadas por mim mesmo até março de 2015 e com um monte de aulas, projetos e atividades nesse período semi sabático. Junto a minha casa nova na praia, uma das minhas visitas mais ilustres tem sido Didi, uma simpática monja de Taiwan, que vem todo mês ministrar um curso em Pelotas e enche minha casa de sabores orientais, música e ensinamentos. Por indicação e recomendação severa dela, e pra concluir minha formação em Yoga, eu deveria ir ao Retiro Ananda Marga de Yoga, em Viamão, RS. 
Como todo retiro, a resistência inicial de simplesmente acalmar a mente e deixar tudo em paz é grande. Chegando lá, chovia muito, já era de noite, e eu ainda teria que ajudar na cozinha como parte do combinado. Meu grupo era imensamente doce, as carinhas curiosas, a amizade surgindo da simples afinidade de estar lá, e a presença imponente dos Dadas (monges) e da Didi (monja), tudo isso era bem interessante e acolhedor. O prédio, antigo e com cores pálidas, um antigo hospital, se enchia de cores à presença de uma imensa figueira e um balanço de criança, indicando genuína infantilidade e alegria. Eu estava feliz e animada, cheia de expectativa, mas ao mesmo tempo, as práticas espirituais, a devoção, os sabores, cheiros, costumes e cansaço iminente me derrubaram em uma enxaqueca bem limitante. O segundo dia, acordamos todos às 4 da manhã. Se seguiu a meditação, a prática de Yoga com ásanas e lindos mantras, um café da manhã delicioso, e ainda jogos interativos muito divertidos. Caminhamos em uma trilha em meio a alguns pingos de chuva insistentes, rindo, conversando, tirando fotos. A essa altura minha cabeça já explodia, e um mal estar crescente me questionava que diabos eu estava ali. Já no carro, meu doce amigo Sudama e uma paciente e materna Didi me explicavam ser bem comum passarmos mal no primeiro retiro, tudo muito intenso e cansativo, e ela me alcançou uma óleo de cânfora, ardente e aliviante, para as têmporas e testa. Meu novo amigo, das pessoas as quais inicialmente já sentimos empatia,  veio em meu auxílio inesperadamente (?) e já acertou minha carona, e me vi já em seu carro, sem me despedir dos meus companheiros de jornada, novos amigos. Um chá de gengibre com pães integrais e manteiga de amendoim em um aconchegante apartamento com vista para ipês roxos no centro de Porto Alegre nos esperava, e eu me acomodei aliviada, já com a certeza de estar melhor. Um simpático anfitrião Margui de Curitiba amigo de Sudama nos esperava, e se juntaram a nós o Dada da Namíbia, África e por último Sudama, e minhas novas amigas de Pelotas. Eu estava já tranquila e relaxada, a dor havia passada e eu estava certa de vários ensinamentos. Quando passamos por uma dor ou sofrimento, rapidamente somos impelidos a diversas reflexões, pensamos em nossos hábitos, nossas resistências e limitações, nosso ego enorme, nossos julgamentos e atitudes. Estar em uma cama de um antigo aposento para pessoas com tuberculose, era um pouco sombrio sim, mas me vi deitada morrendo de dor, valorizando um pouco mais minha saúde, revendo  meus hábitos e me conectando espiritualmente com tudo isso, tomando algumas pequenas resoluções que vi serem totalmente necessárias e inadiáveis pra minha vida. Confesso: na hora eu só pensava em sair dali, a entoação de mantras, o silêncio, a chuva, as comidas, tudo me enjoava, eu resistia sem saber por que.  Mas então sempre surge uma pessoa muito legal, de voz amiga, de uma grande sabedoria, ou várias delas, e tudo está bem outra vez e você está se divertindo. Ou meditando. Outra vez. 


Caminhadas para os jogos interativos

Slack line na árvore

Crianças yogues

A árvore convida a grandes brincadeiras, caminhadas e risos. Monges e yogues, todos compartilhando das mesmas descobertas

O espaço com suas placas artesanais indicativas. O sitio abriga um monge permanentemente e conta com a administração da Ananda Marga, sediando eventos e retiros. É tudo voluntário e de boa vontade

Trilha e caminhada na chuva

O grupo era muito legal, tive sorte de conhecer pessoas realmente divertidas, alegres e do bem. Música e conversa era o que não faltava, pena eu ter convivido pouco com esses meus novos amigos, espero revê-los em breve!

Gopal (Gustavo) e sua flauta em total sintonia com o templo Yogue e a grande mata nativa

Andando devagar...se vai aos poucos, ao longe

...todo mundo em fila

Mesmo o tempo não ajudando muito, nos alegramos em sair um pouco, respirando ar puro e interagindo um pouco mais, entre práticas, atividades e meditação

Meninas superpoderosas de Baba

Mimosas

Lucas representou a 'Confederação Pelotas' no maior estilo

Dada e Sudama

Super atentos

..e concentrados

Mostra artística

...nossos meninos

Gandharvas Mantra, lindo demais

Já com Sudama, e Dada, descansando e tagarelando

Novos amigos

Carol e sua alegria e sorriso, uma nova amiga yogue, grande parceira e mestre em shiatsu 
Para maiores informações sobre Ananda Marga :
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ananda_Marga
http://www.anandamarga.org.br

E por último, lembrando:
"Nunca se está sozinho ou desamparado
As forças que guiam as estrelam, guiam-te também"
Sri Sri Anandamurti (Baba)

Comentários

Dari disse…
Que lindo Ale!!!
Como gostaria de viver tudo isso contigo...mas te acompanho no coracao amiga querida.
Um dia desses a gente vai se encontrar de novo...eu sei...

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