E ESTÁ CHEGANDO...



Quando eu comecei a escalar eu morava em Santa Catarina, na ilha da Magia. E era uma magia mesmo, conhecer lugares maravilhosos, escalar na beira dos costões e eu tinha muitos amigos por lá. Eventualmente, uma galera de longe ia me visitar e o mais legal de tudo isso era mais e mais amigos, vindos de todas as partes imagináveis do nosso globo rochoso. Como eu estava no mestrado, mesmo com pouca grana, eu acabei viajando bastante e conhecendo ainda mais gente. Quando vim para o sul eu já conhecia bastante gente de porto alegre, uns meninos já haviam estado na minha casa,  e viraram bons amigos, conhecia as namoradas, mas tinha medo da introspecção, reserva e cerimônia do povo gaúcho. O tempo passou e eu já estou há 5 anos de volta e me surpreendo com o tanto de belezas desse lugar, o tanto de alegria, receptividade, inteligência e cordialidade. Considero ter redescoberto o estado, já que nasci nessas paragens, mas me sinto meio uruguaia, meio do mundo, meio catarina. Os amigos e minha insistência me levaram a lugares e sensações maravilhosas, conheci cachoeiras, explorei parques, escalei em uma série de lugares legais e até com costões, visitei de bicicleta, carro e caminhando montanhas e praias, vivi pores do sol e luas, a beira do fogo no meio do mato e também surfei em águas hipotérmicas, e mesmo estranhando no início me considero muito realizada, adaptada e gaúcha. Mas lembrando de tudo isso, de lugares, sensações, de escaladas, roubadas, aventuras, acampamentos, o mais doce e alegre em minha memória são os amigos ou conhecidos ou simplesmente escaladores. São as cordadas divididas, os sorrisos puros e simples e até cúmplices, são os betas, as imagens trocadas e compartilhadas, são as conversas virtuais e os novos amigos reais, são os sonhos em comuns, as roupas coloridas, são as desavenças, diferenças e aprendizados. São as costuras esquecidas e devolvidas sem nem conhecer o novo amigo, o conhecimento do outro e de nós mesmos. São os gritos de incentivo, o mate na base da pedra, são as trilhas divididas, o sétimo, sexto e mesmo o quinto ou quarto grau, não importa, somos todos um, unidos por algo muito especial, forte, único e intransférivel, mesmo não compreendido entre os pobres leigos não pertencentes a essa corrente do bem.
Completando toda essa alegria, essa honra de pertencer de alguma forma a tudo isso, eu ainda tenho o Yoga. Minha forma de comunicação de amor e de simples acolhida. Minha maneira de amar a cada um individualmente, tentando dividir, mostrar, ajudar, entreter, energizar cada conhecido ou desconhecido.
Com tudo isso, eu não poderia deixar de guardar em meu coração o Caldeirão do Behne, um encontro de almas iluminadas e divertidíssimas num dos melhores locais de escalada do estado: o Campo escola Behne em Ivoti. Meu primeiro evento eu estava numa situação conturbada de vida, mudando de casa, de status, de trabalho e terminando o doutorado. Mesmo assim, lembro ter colocado alguns tatames azuis enormes em meu fiestinha street/2003, cumprindo a máxima de escalador de nunca ter trocado de carro pois sempre surge A viagem, O equipamento pra gastar, dirigi 400km sozinha, um mate no banco do lado, uma cabecinha a milhões e uma música em uma caixinha de som do paraguai. Chegando lá, um monte de abraços, amizades, água, piscina, escaladas e um monte de novos e velhos amigos e a certeza de voltar sempre, viver sempre, escalar sempre.

O Caldeirão do Behne acontece outra vez, dia 6 e 7 de dezembro. Eu viajo dia 8, mas estarei lá. Com uma aula de Yoga de todo o meu coração e ainda com toda a vontade de viver outra vez o amor, o sorriso, o mate, a cumplicidade desse maravilhoso povo gaúcho. Aperta, galera. Que venha o Caldeirão!






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