E era pra ser fácil?


"a gente sempre destrói aquilo que mais ama..em campo aberto, ou numa emboscada...alguns com a leveza de um carinho, outros com a dureza da palavra..os covardes destroem com um beijo..os valentes destroem com a espada"
OSCAR WILDE
Eu li muito cedo esse poema, pois, desde cedo, perdi coisas. E sempre pensava na minha responsabilidade pela morte, partida, sumiço de tudo. Era como se todo o mais importante, ao ser ou se tornar importante, se fosse. E a realidade ia comprovando minha suposta teoria, levando em perdas terríveis coisas e pessoas a minha volta.  Então a gente supostamente cresce, amadurece, e supostamente aprende a não responsabilidade e não controle sobre as coisas. Ainda que seja um horror perder uma amiga e um amor. Mesmo que seja incompreensível perder um companheiro, ou o melhor cachorro da sua vida. Ou a facada de perder seu pai. A tristeza de perder sua avó. Ou o seu trabalho, sua casa, estabilidade e noivado no mesmo ano. Mas então mesmo se perguntando, por que? a gente respira (sem opção pra outra coisa não é mesmo?) e pensa: tudo é o que tem que ser. O segredo é agir diferente, é endurecer, é aprender, é ir adiante, e saber da roda da vida, ela te pede garra e coragem, te testa, até tua total compreensão da exigência e determinação em ser feliz. A gente não tem responsabilidade por destruir nada. Mas a gente tem responsabilidade por agir da melhor forma sempre, se protegendo, amadurecendo. A gente pode cair, várias e várias vezes numa via de escalada, mas a gente tem que cair tentando direito. Sem displicência. Com garra. Com consciência dos riscos e com responsabilidade. A vida e tudo mais é impermanente. E o que não pode ser permanente em nossa vida, é a dor e o sofrimento. Para isso, toda a valentia e doçura do mundo. Pra não destruirmos mais nada em nossa vida, nem com palavras, nem com espadas. Mas pra aguentarmos o que tem que partir.

O cume sempre importa. Chegar lá. Ser feliz. Mais sair o mais ileso possível, com calma, tranquilidade desfrutando, é o segredo da escalada. Tem via que parece interminável, um perrengue atrás do outro, tudo que era pra dar certo dá errado, você perde a linha da via (e pra vida não tem croqui), te falta equipamentos, é você e você, ninguém mais, a voz dos seus parceiros se perdem no vento. Parece faltar ainda mais de 10 cordadas e você já pensa em não ter mais ânimo pra continuar e, nesse caso,  não há a opção de desistir. Então você acredita, com todas as suas forças e sua capacidade, que dá pra chegar lá. E vai. Passa um crux e mais outro. E não é que lá em cima valeu tudo a pena mesmo? Boas escaladas e Namaskar.

Comentários

Miriam Chaudon disse…
Aprender a perder o que amamos...como é difícil! :(

Boas reflexões com analogias interessantes!
Anônimo disse…
Do you mind if I quote a few of your posts as long as I
provide credit and sources back to your blog?

My website is in the very same niche as yours and my visitors would genuinely benefit from some of the information you present here.

Please let me know if this ok with you. Many thanks!

Visit my webpage - house renovation ideas ()

Postagens mais visitadas