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Muito tempo sem escrever me deixa repleta, como uma sacola cheia de papéis escritos onde já não se consegue mais fechar a boca da sacola, transbordando de ideias e pensamentos soltos. Me organizo escrevendo, pensando sobre o mundo, a vida, minhas atividades, amigos, viagens, escolhas. Meus meses têm sido como uma sacola mesmo, cheio de coisas lá colocadas sem pensar, ou porque tinham que estar lá por não se encaixarem em lugar mais nenhum. A mudança de casa que tinha que ser feita, o trabalho que tinha que recomeçar, o doutorado pausado, doenças e recomeços em família, resoluções mas nada de soluções. Por dios nesse período a escalada não esteve tão abandonada, mas os treinos de corrida, pesos e até o Yoga praticado, e não ensinado, esteve a desejar sim. Bueno, mas em compensação em minhas tardes agora, eu tenho a companhia da Boneca, uma linda égua colorada, e por vezes e aos poucos vamos percorrendo por aí, campereando de a poquito.Os amigos também têm sido visita constante e pude rever, conversar, viajar, com Márcio, Ana, Juliana, Bianca, Luciano, Beta, Andressa, Letícia, Sebastian, Alessandro, Vicchy, novos e antigos, cultivos e conquistas, amizades e amores, e me sinto privilegiada de, nos dias de hoje, conseguir ter tempo de aproveitar com os amigos. São escolhas que fazemos ao longo da vida, que priorizam algumas coisas em detrimento de outras. Muito do tempo dedicamos a família, se temos uma, ou ao trabalho. Eu ando me dedicando a mim mesma, e por vezes só, mas tudo ótimo. A descoberta de ser a laranja inteira. Viajando pelo Uruguai, com y e com i, me encontrando de novo, na música, no trabalho, nos amigos. Um ukelele debaixo do braço, algumas patrícias, algumas boas risadas, alguns colos, mares, tantos casas em uma casa só. Como é bom chegar a conclusão que uno no se puede se perder nunca de si mismo. Y así és.
A gente busca o que nos motiva mas também não sabe bem o certo. Como se trabalha pra viver? Como se vive sem acreditar? Como ganhar para viver? Quem somos? Como se motivar? Mas afinal, o que nos motiva?
A gente faz o melhor possível, a gente trabalha, tenta amar o que faz, tenta fazer o que ama, tenta ganhar dinheiro, tenta reconstruir, reerguer, sorrir, cultivar. Mas o mais importante nisso tudo pra mim é não perder minha essência, quem sou no meio disso tudo. É não tentar se enquadrar, por nada, mas sim, não se perder. É acreditar que o que eu acredito é mais importante. E mais ainda, é confiar que o que eu acredito e sou, vai dar certo, já está dando. Sempre vai ter um monte de gente e um monte de coisa te dizendo que não. Um sistema, pessoas, amigos, família, um casamento. Querendo te dizer o que fazer e como fazer. Óbvio que não estamos sempre certo e ajudas são bem vindas. Mas acreditar na nossa essência, vontade, valores, qualidades é essencial. Crer em nós mesmos. Cada pessoa tem uma infinidade de coisas a melhorar, tanto você quanto os outros, mas acreditar no seu caminho, na sua evolução.
Sempre vai ter a grama do vizinho crescendo mais rápido e você se pergunta se você não tinha que colocar alguma coisa na sua grama, se está fazendo do jeito certo. Dói, confunde, a motivação se esvai por vezes e a gente se sente até só. Com medo de tentar, de seguir, já vislumbrando outras sementes de grama milagrosas, pensando na sua como a pior grama do mundo.
Mas ela vai crescer. Do seu jeito, do seu ritmo, é só não deixar ela morrer, é só cuidar, com carinho, com atenção e fé. E vai ser a mais bonita pra você, porque é a sua. A outra pode estar lá, crescida, alta. Mas pode ter químicos, formigas. Uma analogia boba essa. Mas me ocorreu. 

Eu prefiro a minha grama, e você?

Que todos possamos viver do jeito que queremos. E que todos nós possamos ser felizes, de um jeito ou de outro, com o respeito, admiração e apoio dos outros. E que a gente possa amar as diferenças e aprender com a grama do vizinho...nem invejar, nem querer pra si...somente entender a diferença das coisas...

Laguna Negra, Uruguay
Aqui fotos dessas semanas, meses e dias caminando y cantando

Comentários

Michelle Midori disse…
Adoreii, Ale!! Beijão!
Miriam Chaudon disse…
Assim como você Alessandra, eu prefiro a minha grama! Escrever faz bem, né?!

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