Mi gente

Gosto desse tipo de gente, com ganas do novo, do viver, do ousar, do conhecer. Mas não digo de simplesmente viajar, malas, aeroportos, mochilas, hotéis. Digo do dia a dia, do romper com o conhecido, o usual, do engolir o choro todos os dias. Gosto das pessoas saídas de filmes, toda uma tragédia, uma troca sem fim de casas, corações partidos, adeus e sorrisos ao mesmo tempo.
Eu observo uma força incrível nos que não deixam seus sonhos e vontades pra trás, perseguem e matam um leão por dia pelo trivial. Suam e sofrem pra trabalhar naquilo que amam, não aumentam as dificuldades, riem das simplicidades e buscam, buscam, não cansam de buscar. Choram, se destroçam, se cansam, pois essa busca é cheia de decepções, medos, incertezas, angústias. É solidão em seu estado mais puro, é contar somente com sua força, mas isso ao invés de te dar medo de dá força. Gosto dessa gente.
Com certeza ao lado, há os passíveis, também felizes...aparentemente calmos, mas por dentro, não, inquietos, invidiosos até, pois geralmente neles repousa o secreto desejo de ser como gente que não tem medo. Seu jantar a noite, suas noites de amor tranquilas, seu trabalho de 8h e seu décimo terceiro gritam muitas vezes em sua mente, a noite, ou em devaneios por la tarde, lembrando o frio da barriga da liberdade, da alegria extrema, do riso solto, da vida pulsante....e em um ato de revolta acendem um cigarro, tragando a vida que lhes falta e sonham com o dia em que juntarão dinheiro e estabilidade suficiente para não ter mais medo.

...e nesses a vida cobra caro...ela não ensina a não chorar no abandono, a não se importar com o desapego, não mostra como recomeçar. O conforto amolece, encobre a força, contém a nobreza, segura o instinto e a selvageria de quem fomos um dia.

Gosto de gente que há muito saiu dessa zona de conforto. Seja por sua própria vontade, seja por que não quis, mas foi empurrada, puxada para fora dela. E se viu ali, diante de coisas difíceis, outrora mais impossíveis do que poderia suportar, e então se virou em duas, três pessoas, e se viu forte, se viu gente que não tem medo. Conquistou, riu, caminhou. Guardou suas coisas de um lugar para outro, juntou pedaços, recomeçou. Ajudou com o coração, cantou, escutou canções, escutou o mar, subiu montanhas, e nelas estavam também gente sem medo, aprendeu a amar e entender cada um e a si mesmo. Chorou mais uma vez, juntou mais uma vez seus pedaços, disse adeus, e dessa vez, um adeus cheio de força, nunca igual ao primeiro, nunca nada igual a primeira vez. Pois gente que não tem medo, vive várias e inesquecíveis primeiras vezes.

Comentários

Andressa Pons disse…
Nossaaa! Muito bom! Tb gosto dessa gente que chega lá em cima e se joga, de volta, de cabeça, para iniciar a subir. Tudo de novo. Tudo novo, de novo.
Eliseu Frechou disse…
Lindo Ale. Penso igual também. Bjk
Miriam Chaudon disse…
Viver é renascer todos os dias!
Para as certezas e para as incertezas....muito lindas as suas palavras, Alessandra!

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