On the road: Behne e Mostardas

Que dias bem aproveitados e divertidos. Com certeza esse final de semana foi longo e especial. Começamos no sábado às cinco da manhã saindo do Cassino, pegando um ônibus lotado e abafado,  cheio de estranhas e boas coincidências. Me esperava então um evento cheio de luz, sol, calor, amizades, boas vias, roubadas, cafés da manhã e muita escalada, o dia todo. O Caldeirão do Behne acontece desde 2003 e minha estréia nesse encontro não poderia ter sido melhor. Somado ao fato que ando gostando cada vez mais de frequentar esse campo escola, e tenho me afeiçoado enormemente ao lugar, escalar entre minhas amigas, novos e velhos amigos, sentir a empolgação de todos, ver o lugar lotado, presenciar uma competição inédita e assistir palestras emocionadas. Já no primeiro dia no início da tarde escalei diversas vias e acabei perdendo o horário do campeonato, que me pareceu muito divertido, uma pena. As meninas apertaram forte e demonstraram além de força uma técnica e estilo, e a vencedora realmente mereceu o primeiro lugar, completando o boulder com graça e rapidez. Os meninos tiveram que vencer desafios e problemas bem fortes e consegui acompanhar algumas quedas engraçadas na piscina além de uma escalada de alto nível de todos os competidores. A noite contou com uma janta caprichada por parte dos organizadores, premiação da categoria feminina e a palestra do escalador Naoki Arima. Eu já havia comentado assim que soube da participação dele que tinha muita curiosidade de ouvir os relatos da incansável contribuição ao esporte desse escalador gaúcho/capixaba, seja pela conquistas de inúmeras vias, seja pela disponibilização de croquis, informações e dicas da escalada brasileira. Mas o que vimos superou todas as expectativas e emocionou todos os presentes, além de arrancar risadas fortes de todos nós. Naoki contou toda a história do Campo escola Behne, de Ivoti, RS, desde quando corria moleque fugindo do agora amigo proprietário do lugar, até as histórias de quando fabricavam seus próprios equipamentos ou conquistavam as vias malhando de cima incansavelmente e aproveitando a colaboração de outros escaladores visitantes do local. Aprender sobre as dificuldades e obstáculos além das lições sobre motivação e até obstinação pela escalada e se divertir com as histórias me fez pensar o quanto de emoção e experiência existe em cada área de escalada, o quanto de cada um existe em cada via, em cada grampo ou chapeleta, quanta história, amizades, risos, roubadas, tardes de sol e noites mal  (ou bem) dormidas no mato. Me fez crescer um enorme respeito, sem julgamento ou opinião, por cada lugar que já escalei. Com certeza, a palestra aquiesceu sentimentos fortes em todos que estavam por ali, e terminadas as palavras, as palmas não queriam parar por vários minutos. De arrepiar.
Dormi um pouco dolorida de frio, já que havíamos esquecido o saco de dormir, mas acordei extremamente motivada e feliz para uns novos desafios que eu havia me imposto. Então entrei tranquila na Zero Grau, um quinto muito bonito, e na Escadaria para o céu (5c), na primeira parte da Epilepsia (5°) além das que fiz em top hope: Monoton (6a), Day Light (5°), Mouse (6a) e Das Rosas (5°) , que ficaram como lição de casa para guiar, porque também entrei tranquila, com exceção da Mouse, que tomei um espanco no tetinho e desisti cansada.

Completando esses momentos, decidimos ir para casa pela praia, saindo de São Leopoldo pela RS 040 em direção a Mostardas pela BR 101. Entramos na praia de Bacupari e dali fomos passando por diversos vilarejos: Praia da Solidão, São Simão, Pai João...até São José do Norte. Inexplicável a energia e beleza desse pequeno estreito de terra e mar tão esquecido e desconhecido por muitos. Milhares de aves marinhas, incontáveis tartarugas e toninhas, areia branquinha e um mar azul forte, permeado por interessantes aglomerados de pescadores e moradores beira mar. Paramos em diversos pontos para conhecer e acabamos conhecendo e conversando com muita gente. Dali chegamos em São José do Norte e praia do Mar Grosso, onde tivemos que pernoitar porque perdemos a balsa para Rio Grande. Uma baita chuva quase nos pegou, mas no final chegamos tranquilos no Cassino, já na terça feira a tarde, exaustos e felizes. 

Adorei a foto do Naoki, eu guiando a primeira parte da Epilepsia, no primeiro dia. Que felicidade!

Tchibun!!!(foto: Naoki Arima)

Que felizes! Que queridas! Muito bom dividir esses bons momentos com minhas amigas! 

Meu querido amigo Cristiano Backes (foto: Naoki Arima)

Especiais e felizes. Galera do bem. 
Cansada e incansável. Pára não, que é só esse final de semana.

En una línea muy dura (Naoki)

...ver a galera fritando os dedos

O evento também contou com a presença ilustre mas não menos importante dessas mãozinhas  maravilhosas

Émerson e Murilo escalando a muerte comigo e com Duda.

....pode existir coisa mais querida?

Domínio do Homem (7b)

Galera na base das vias

...e porque nem só de montanha vive a felicidade...

Let's go to the beach!

Onde?
Cause I'm free..to do what i want..any old time (e dá pra se sentir diferente em um lugar como este, com vento e maresia no rosto?)
Duda e o sol






Farol de Mostardas


...e eu quero um jeepzinho que nem esse

...parada para almoço, um PF vegetariano com batatas fritas e boas conversas. Ficamos uma hora conversando com uma menininha de 2 anos. Ela nos mentiu a idade, o nome, e disse que estudava e tinha uma professora brava. Depois a mãe dela nos contou que se chamava Ana Clara, ao invés de Daniele, e que gostava de inventar histórias e amigos imaginários. E eu que achava que me fantasiar de mulher maravilha aos 4 anos tinha sido criativo da minha parte.


...entrada da praia de são joão

...aviso!

...dunas e mais dunas...


A chegada na praia do Mar Grosso depois de perder a balsa e a pequena tempestade se aproximando, com direito a chuva, trovoadas e ficar sem luz.

Lagoa do Peixe



Colônia de pescadores




A pousadinha que arrumamos de última hora, bem acolhedora e de frente pra praia.

Tirando o mundo réptil do caminho (save lifes)

...e bem sujo de sorvete :)

....tralha toda como de costume

...e bem cansados de esperar por algumas horas a balsa que atravessa de São José do Norte para Rio Grande. 

....pasa un mate?

...e navegar sempre é preciso!




Jaaackkkk!!!!!!!





E para todos desejo uma ótima semana, cheia de bons sentimentos, fé, compaixão, entendimento, e otimismo. Que possamos acreditar que as coisas podem melhorar sempre e que tudo tem um propósito. Que nossas escaladas possam fluir e que possamos fazer aquilo que a gente mais gosta e acredita, com satisfação, alegria, leveza, para nós próprios. Que possamos vivenciar o verdadeiro espírito da montanha, assim como foi nesse evento: muita luz, paz, alegria e boas escaladas. Bons ventos a todos!

Comentários

Vanessa Staldoni disse…
Amiga, que lindas as fotos do litoral! Também quero!! Muitos beijos!!
Vanessa Staldoni disse…
Amiga, que linda a foto do litoral! Também quero! Muitos beijos!

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