laissez faire, laissez aller, laissez passer

É sempre difícil começar a semana motivada no trabalho quando já se tem uma viagenzinha de escalada no final de semana. Começo esses dias totalmente psyched e motivada para os próximos dias, empolgada em colocar a mochila outra vez nas costas, mesmo que por pouco tempo, e apertar os dedos, conversar com amigos queridos, tomar um mate, acampar, ar sujo de magnésio, cabelos, mãos e roupas também sujas, toda liberdade e alegria. Sei que preciso sentar no computador e estudar sobre minha tese, organizar meus resultados, ler sobre os concursos. Uma pilha de contas e listas de coisas pra fazer: médico para marcar, levar cachorro no veterinário, organizar contas, avisar o alarme do pagamento, ajeitar a casa emprestada, pegar as coisas do apartamento antigo na casa da minha mãe, visitar os meus sobrinhos e arrumar a casa. De tudo isso, hoje eu arrumei a casa. Ontem fui ao oftalmologista e ele disse, não, você não é velha minha filha, está liberada. E eu louca para usar um óculos azul que já tinha escolhido, e o médico vem com essa, sim, sua dor de cabeça talvez seja o trabalho. Trabalho? Ai meu deus, se ele soubesse que eu deveria era trabalhar mais...mas não, vejo e revejo alguns vídeos de escalada, textos e fotos, escrevo no blog. Volta para o trabalho. E cozinho também. Adoro cozinhar, principalmente quando tenho que trabalhar ou estudar, e principalmente para o Duda, ele gosta, pelo menos não reclama,coitado. Ou ansiosa. Então faço pão e até bolo, que nem sempre dá certo, mas a vida é assim, nem tudo dá certo, e nem sempre. Mas a gente segue tentando e vendo do jeito que fica melhor, um dia erra, no outro acerta, e fica combinado que ninguém reclama. E da máxima que aprendi esses dias? Laissez faire, laissez aller, laissez passer. A frase que eu já sabia, do liberalismo econômico, dos tempos da escola, do capitalismo, da democracia, eis que surge com um novo significado e soando tão melhor pra mim. É daquela velha história de deixar passar. Deixar passar as pessoas, as atitudes, as coisas erradas. Perdoar, ignorar, compreender. Porque nem tudo é certo, nem tudo é são, nem tudo é amigo. E no final, sobra mesmo é o bolo, bonito, gostoso de ver e de viver, porque o que dá errado ou é errado, some, fica lá misturado no resultado final, que é uma maravilha mesmo. Vamos dar isso de presente pra gente esse final de ano? Vamos deixar pra trás tudo que é detrás do lado de lá? O que não tem a ver com a gente não é da gente, e ponto final. Vai pra longe, ou se mistura e vira uma coisa só. Igual ao bolo, que eu estava falando.
Uma boa semana para todos de boas escaladas.
Para ler também:
Majka Burhardt
Kate Rutheford

Minha vida de Doutora em Oceanografia Biológica

Comentários

Postagens mais visitadas