Estilo e tendências na escalada

Quando se vai viajar é aquela delícia, a expectativa, os contatos, o descanso. Eu não sou muito boa com o planejamento, geralmente deixo para saber o que me espera assim que chego no destino, não tenho paciência com roteiros, sites de previsão do tempo, hábitos e costumes do lugar. Já melhorei bastante por conta de várias coisas que deixei de aproveitar por falta de conhecimento, mas ainda tenho esse estilo de mochilar. Mas saber o que se vai levar na  mala é essencial. Qual roupa usar e em qual ocasião e clima é importante. E eu estou falando aqui não de futilidades nem etiqueta. E sim dúvidas que temos sobre conforto, custo benefício, saúde, economia e simplicidade. Principalmente na hora de escalar. Qual a melhor calça? Qual o melhor tecido? Camisetas respiráveis, bermudas que viram calça ou o tão europeu jeans, será que se adapta ao nosso clima e comportamento? 
Aqui no Brasil nós temos o costume da calça legging. Esportivo é sinônimo de calça colada e camisetinha com algumas variações. Algumas de nós ainda optam pelo estilo montanha e compram calça estilo trekking ou escalada mesmo e raras usam calça jeans, calça larga de qualquer estilo ou ainda calça xadrez. No frio há uma infinidades de opções, fleece, pluma, lã, toucas, faixas para o cabelo. Eu me pergunto então até onde é estilo e até onde é praticidade e conforto. Existem inúmeras marcas de diferentes preços e acessibilidade, existem até pontas de estoque e o famoso troca troca, mas fica difícil muitas vezes adequar o clima, o tipo de corpo, o conforto e a estética da coisa. Ou alguém ainda se anima a usar as famosas calças justas estampadas de rosa ou listras da década de 80?
Eu sempre fui adepta do não ser adepta de nada. Geralmente ia escalar com a roupa que estava, ou uma calça de abrigo, ou regata e shorts, ou a calça esportiva famosa feminina ou ainda minhas calças largas de praia daquelas que se compram nos quiosques do litoral e até short jeans. Depois comecei a avaliar que facilitava os movimentos, que era melhor pra não sentir calor ou frio, roupas específicas para o esporte. Também a cor era importante, porque uma vez que você está na montanha, uma antiga regra de segurança diz que é mais prudente estar com cores de fácil localização a distância. Logo sempre gostei do vermelho, do verde e laranja. O tênis também é importante para o acesso, caminhando nas trilhas, e os papetes sempre foram bons companheiros na hora do tira sapatilha, bota sapatilha. Fora isso, para o cabelo, presilhas, lenço, trança, touca, são amigos do: não prender o longo cabelo no mosquetão em hipótese nenhuma. A calça jeans eu sempre achei que poderia me ajudar a evitar os arranhões fundos e os hematomas amarelos e doloridos. Achei que pudesse ser mais resistente, fácil de lavar, que sujasse menos e sempre me surpreendia ao ver a maioria esmagadora dos escaladores lá fora adotando tal vestimenta. Mas na prática achei um pouco quente nos dias de calor e fria nos dias de frio. Não atrapalhou na movimentação, mas ficou caindo atrás quando ajustei a cadeirinha. Enfim, depende do modelo e do clima. Camiseta justa também facilita na hora da cadeirinha, já que qualquer blusa larga vai ficar por cima do saquinho de magnésio, pode atrapalhar na hora de tirar a costura e ainda prender em alguma coisa. O top facilita os movimentos e ajuda no calor extremo, mas desprotege um pouco porque deixa a região mais exposta. O short ao invés de calça então, é um convite para pernas doloridas por um mês, principalmente no granito, como os costões de Santa Catarina. O famoso conselho de se vestir como uma cebola para ir se desvencilhando em camadas pode ser uma boa, mas ainda prefiro o tipo de tecido certo para não carregar tanto peso pra cima e ter que ir guardando tudo na mochila.
Vejo então que a vaidade é inerente ao ser humano. Uns mais, outros menos, mas se sentir bem no dia a dia ou quando se está praticando algo que se gosta todos nós queremos. E acredito que para isso é necessário estar em harmonia com o meio e com o que rodeia. Vestir uma cor em sintonia com a nossa personalidade e humor, usar algo que facilite nossa expressão e movimento, nada apertando, nada moldando, incomodando. Para isso, não tem modismo, não tem marca, grife, loja ou conselho. Existe na minha opinião bom senso, tecnologia e oportunidades. Para mim não há nada de errado gostar do que é bom, investir, querer usar. Sem consumismos extremos é sempre bom estar bem. Com um casaco que esquenta, com uma blusa que você se sente mais bonita(o) e com uma cor que te deixa mais feliz e de uma marca que você sabe que não vai estragar tão cedo e nem te deixar na mão.

 Como será então que os escaladores foram se vestindo através dos tempos? 

A bela e lendária Catherine Destivelle usava nessa época lindos maiôs que permitiam leveza e beleza nos seus movimentos

Wolfgang Gulich curtia uma listrada. Quem nunca teve uma dessas?

Celine Bourrou e sua insustentável leveza de ser prateada.

Patrick Edlinger no maior estilo colorido em Yosemite. Notem os lenços para os cabelos compridos já ajudavam nessa época, em 1985.
O jeito despojado e patrocinado de Daila Ojeda: sempre boas marcas e roupas largas e confortáveis
O clássico para homem nos dias de hoje, calça larga, seja de jeans ou não, com ou sem camiseta.
E o que é um monte de casaco de pluma, roupa colorida junto e não combinando, calças  as vezes manchadas e sujas e um monte de gente alegre reunida? Sim, escaladores ao redor do mundo.
Brasileiras, mesmo no Rio Grande do Sul, costumam usar a boa e velha calça justa e top, principalmente no verão tropical e abafado do país
E há ainda as calças coloridas xadrez, melhores para o verão ,mas também usadas no inverno

Quando o calor aperta mesmo até arriscamos no short, mas não costumo ver ousados maiôs como o de Catherina Destivelle da primeira foto
Aqui testando a calça jeans, no calorzinho de Vallecitos, Argentina e fail total: aperto, calor e todo esse cabelo solto atrapalhando
Também tive a fase de calça larga surrada e camiseta hering velha e o detalhe no cabelo das faixas de fleece muito vendidas na Argentina que também serviam para o pescoço, ou cuello
Me despeço desejando boas escaladas a todos, desapego e consumo sustentável, na hora de se vestir, comer e viajar. Aproveito deixando ótimos sítios de troca e compra:
Skoob (para livros)
Em redes sociais:

Comentários

Vanessa Staldoni disse…
Que legal o post, Ale! Ótima idéia falar sobre as roupas que usamos ao escalar. E, realmente, eu não dispenso a calça colada e o top no verão, hehe! Beijos!
Vanessa Staldoni disse…
Que legal o post, Ale! Ótima idéia falar sobre as roupas que vestimos ao escalar. Realmente eu não dispenso a calça colada e o top no verão. Mas o maio da Catherine eu não me arrisco. São poucas que podem usar! hehe! Beijos!
Alessandra disse…
É verdade, amiga, maiô e ainda branco! Sarada a moça. E eu realmente ando pensando mesmo no assunto nesse arruma e desarruma malas toda hora, a gente quer praticidade e quer se sentir bonita. E também adoro trocar dicas e observar. Beijos, saudades
Gil!=] disse…
Estando bonito ou não, combinando ou não... o que eu levo em consideração sobre vestimenta é o fato da praticidade e da proteção. Roupas de secagem rápida, duráveis e confortáveis, fazem toda a diferença.
Belo post, querida. Melhor ainda, a dica final: "consumo consciente". Mais é menos... Bons ventos, cerratenses!

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