Cultive novos pensamentos

Ou seria cultive apenas bons pensamentos?
Essa para mim talvez seja a tarefa mais difícil da vida, dos dias, do mundo. Como boa libriana que sou, gosto da gentileza, do equilíbrio, dos sentimentos bons. Só que todos nós sabemos que dentro de nós habitam sim venenos, vícios, desarmonias. E para mim parece que não deveria ser permitido sentir raiva, ignorância ou ciúmes, por exemplo. Mas imagino que seja natural e humano sentir tais disabores, mesmo que eles sejam tão improdutivos e desagradáveis. Já ouvi falar que tudo não passa de um exercício. E de  uma escolha. Que se deve escolher a cada dia quem devemos alimentar: o lado bom ou o lado ruim de nossa existência.
Na maioria do tempo eu consigo vivenciar o lado maravilhoso dos meus dias e o lado bom das pessoas que me cercam ou que eu convivo ou conheço.
Mas em certos momentos, eu sinto raiva, ressentimento, eu falo alto e duro sobre alguém, eu julgo, eu critico, eu opino. E me culpo depois por tudo isso. As pessoas mais próximas não entendem nada. O contraponto de falar com tranquilidade para minutos depois sentir raiva. E para dez minutos depois eu esquecer do que estava  falando e ver que nem tinha tanta importância assim.

Mas essas reflexões não se aplicam ao meu final de semana que foi de felicidade e conquista.
Os dias pós feriado prometiam ser calmos, seja pelo tempo indeciso, seja pela necessidade de se descansar, ver um filme, se recolher. Mas no domingo, depois da pedalada de sábado, se resolveu escalar na Pedreira de Pelotas. Uma escalada despretensiosa e preguiçosa já quase às cinco horas da tarde. O sol já tinha ido embora, todos já tinham ido embora, para nossa alegria. Algumas vias na cabeça, o croqui revisado, o Duda a escalar em móvel outra vez e eu a pegar resistência e força e quem sabe entrar guiando em uma ou outra.
Foi quando acertei os últimos detalhes com a minha mente que iria curtir e aproveitar cada contato com a pedra aquele dia. Iria me concentrar na movimentação para que ela saisse fluida, perfeita, sem esforço. Respirei, olhei os pés e fui dançando com calma rocha acima. Os movimentos foram lentos e bonitos e fui conseguindo passar onde antes eu me esforçava com dificuldade. Não encadenei, não guiei, mas foi uma das escaladas mais bonitas que já fiz naquele lugar. Aproveitando, respirando e fazendo com facilidade movimentos que não tinha feito ainda. Pra completar entrei em outra via curtinha aproveitando uma fendinha que há ao lado. Então Duda perguntou: por que você não faz a via usando só a parede? Eu nunca tinha pensado nisso, e achei os movimentos bem mais bonitos, fortes, exigindo um pouco mais de jeito e depois de tentar algumas vezes, eu consegui. É o que perdemos quando não queremos fazer algo diferente, alguém explica, mostra e resistimos com teimosia e estranhamento. Dá medo, fere o orgulho, mas muitas vezes o jeito do outro é muito melhor e mais divertido. Eu preciso aprender isso, defitivamente. Uma boa semana a todos, com muita vontade e possibilidade de se fazer o que se gosta, muita escalada programada para o próximo final de semana e um bom cultivo de pensamentos.

E se a gente pudesse tabém filtrar os pensamentos?

Comentários

Vanessa Staldoni disse…
Lindo para começar bem a semana, amiga! Tu vens para cá no final de semana que vem? Sequinho quer que eu vá pra Tubarão, mas já combinei campeonato com as amigas. Tava a fim de dar uma passada no paredão de Vila Cristina no domingo, que fica em Caxias. Se curtir, dá a idéia pro Duda. Beijos!
Alessandra disse…
Obrigada, amiga!Gostei da ideia do campeonato...Beijos!
Anônimo disse…
Minha querida
Eu tenho certeza que nessa cabecinha predominam pensamentos bons. Eu já vi você esbravejar por bobagem e também já vi você falar ressentida de alguém que te fez muito mal. Normal. Quem não o faria? Também já vi você choraaaarrr de tristeza por mais outra besteira. Aí então vi você rir com força, gargalhadas, pra depois encantar com sua generosidade.Você é assim. E ponto. Te adoro muito minha amiga. Grite e esbraveje que tá tudo certo. Te amo, Zé

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