E eu sentada naquele meio do muito, no mato e de tudo, o verde claro enchia meus olhos mas meus olhos já estavam cheios de mundo. E se viaja para lugares lindos e muitas vezes ficamos olhando pra dentro sem tempo para mirar em volta. E nesse instante eu parei por um segundo e olhei em volta. Contemplei tudo, a corda na mão direita, aquele silêncio bom de final da manhã e eu por instantes ali sozinha, sem dar importância para os meus pensamentos. Por que eles deveriam importar tanto, afinal?
E sentir aquela felicidade boa, o suor da rosto, os músculos fortes, a terra sujando os pés descalços e aquele bichinho no colo, tão selvagem e tão pedindo carinho. Um pássaro. Seria o milagre da convivência?
E por quantas vezes a gente permite viver assim? Sem teorizar, sem racionalizar, só sentir, sem querer saber se é o certo? Eu, por poucas vezes, admito. Sempre pensando, antevendo, prevendo. Um pássaro?
Mas nesse dia, o fiz. Senti. E escalando também, todos falando em volta, e eu lá, na minha escalada, eu e minhas negociações com a rocha, com meu corpo, minhas mãos e mentes, pés e coração. Um dia forte. No outro, calma e resignada. Até meus músculos aquecerem, tive que ter a paciência de estar cansada e não ir adiante. E depois sim, fluiu. Quatro dias de escalada me fizeram muito feliz.
E quantas pessoas no mundo tem a oportunidade de conhecerem tantas pessoas a toda hora? Quantas cabeças, quantas sentenças e opiniões, maneiras de falar e viver? A escalada proporciona isso, que possamos estar rodeados de diferentes e tão iguais amigos e conhecidos. Alguns nos identificamos mais, outros nos incomodam, nos causam estranhamento, por que não? Algumas pessoas gostamos de conviver, outras simplesmente não conseguimos conviver e outras nos contam ali, em poucos momentos, tantas coisas legais e diferentes da sua vida. Outras perguntam de você. E é aí que você aprende um pouco de si e um pouco dos outros.
E assim vai se vivendo....
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| ...acompanhando as escaladas em Ivoti, Behne, RS |
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| Carlos Eduardo na via de aderência: Domínio do Homem (7b) |
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| Muy fanatico |
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| ...Duda ainda na aderência, muy dura |
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| Bagé é nosso bichinho de estimação. Ele fica tranquilamente pelos cabelos, equipos e também no colo da gente |
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| Camping do Behne, amanhecendo. |
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| ...eu na Escadaria para o céu (5c) desfrutando |
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| Bagé adora tudo que se move e é colorido. Principalmente o cadarço da sapatilha |
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| Ele é um grande companheiro de escalada, andando sempre atrás da gente e correndo, digo, voando, quando Duda chama ele pelo nome: Bagéeeee. E ele vem. |
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| Nesse dia ele arriscou as primeiras escaladas. Ficou um pouco assustado na aderência e preferiu ficar por terra mesmo. As pessoas estranharam e riram, e no final todo mundo fez carinho e chamou ele pelo nome. E ele descansou bastante ao sol, abrindo as asas e fechando os olhos |
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| Galera na pilha de boas escaladas |
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| ops,caiu |
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| Mayra, a mais nova escaladora |
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| enjambres |
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| Zé Pedro Assis provando a aderência |
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| reglete é aquela agarra que se esqueceu de acontecer... |
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| Bagé se sentindo em casa |
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| ...bagé pra nossa surpresa preferiu estar entre os coloridos equipos móveis, preferiu ficar aninhando no colo, do que interagir com o mato em volta, do que sair voando e correndo. Que figura. |
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| ...ele caça todos os pequenos insetos agora e adora frutinhas pequenas até manga e banana. Folhas e hortelã são suas guloseimas preferidas. Cadarços e brincos também parecem apetitosos para ele |
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| Quem diria que esse frango d'água/galinha do mato/sabiá ou o quer que ele seja seria tão fiel e carinhoso, tão amigo e dócil, depois que o salvamos em Bagé de uma coruja que comeu os outros filhotes? Maravilhas da natureza... |
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| Boas escaladas e uma ótima semana de bons ventos a todos! |
1 comentários:
Lugar incrível que perdi de conhecer nesta última descida, ahm? E o Bagé? rs... Virou mascote da turma? Bju grande, com uma boa recuperação daqui, viu? Namastê!
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