Mindfullness

 O ano vai chegando ao fim e começamos aquelas reflexões de novo ciclo, natural quando estamos terminando de fazer algo. Por aqui eu já escrevi um pouco sobre como foi meu ano, minhas conquistas, passeios e experiências, lugares por onde eu passei e as pessoas que convivi. 
Foi tudo muito bom e o balanço desse ano foi positivo, com certeza, me sinto feliz ao final desses dias e satisfeita. Mas como todo recomeço a gente começa a propor novos desafios, metas e objetivos. Começa a pensar o que quer alcançar e o que poderia ter feito melhor. Pela nossa natureza inquieta, sempre há um novo, sempre há algo que queríamos para nosso crescimento e evolução. E isso é bom, não significa só descontentamento ou insatisfação, significa amadurecimento e desejo de melhorar.

O crescimento espiritual assim como a busca de tranquilidade, bem estar e calma vêm sendo crescente entre as minhas prioridades. Terapia, estudos, yôga, fazer o bem, pensar, ler, têm sido iniciativas minhas para o auto conhecimento na tentativa de desenvolvimento pessoal. No budismo acredita-se que o sofrimento advém de ilusões distorcidas da realidade que geram emoções negativas. O contato com a verdadeira natureza de nossos sentimentos tem como resultado uma maior percepção e lucidez e faz com que seja possível libertar-se de emoções consideradas perturbadoras, como apego, raiva,ignorância, e ainda cultivar qualidades positivas, como compaixão, alegria e equanimidade
 
Infelizmente meu dia a dia é bem diferente. Dentre toda essa busca, ainda como carne, ainda sou ansiosa e tenho eternos conflitos, mau humores, confusões e sofrimentos. A grande determinação para esse ano será tentar me aproximar daquilo que busco e acredito, cada vez mais, com disciplina. Minha formação em yôga está iniciando, a terapia me ajuda a lidar com comportamentos arraigados e a minha busca pela satisfação em trabalhar no que eu acredito se concretiza pouco a pouco. Cultivar amigos e família, comer melhor e cuidar do corpo e mente, estar na natureza escalando, surfando, contemplando, me ensina muito sobre o que é viver bem, com certeza.

E para como toda a idéia há uma inspiração, e como minha natureza de pesquisadora acadêmica me faz ler muito, tive textos e fontes ótimas para todo esse momento reflexivo. Uma antiga amiga dos tempos do colégio está fazendo seu Doutorado em Psicologia com o tema Meditação e Bem Estar Psicológico. São estudos interessantes que ela vêm desenvolvendo na UFRGS com um grupo de pesquisa forte e um embasamento científico sólido que nós por não estarmos habituados com o tema podemos estranhar. Ela está na Índia, de onde escreveu seu blog Momento Índia e ainda mantém o site do próprio grupo de estudo   Meditação POA
Todos estes textos, mais o relato de viagem da Carol, me fez ver a importância de centralizarmos nossa busca, de querermos estar bem. E disso, faz parte observar os outros e voltar-se para si, num processo de contemplação e ao mesmo tempo de aquietamento. Parece profundo, mas nada mais é que, viver bem com o mundo e ao seu redor e tentar sempre reservar um tempo para si, seja para escalar ou para, principalmente, sentar silenciosamente e meditar.
Minha experiência com isso foi de uma dificuldade exorbitante. Fiz um retiro budista de poucos dias e foi cansativo e difícil. As simples tarefas e práticas e o estar ali é inquietante por demais. Você se pega pensando muito, muito, a mente não pára. O tipo de meditação praticada foi a chamada mindfulness, também explicada no material da Carol, em que há uma percepção dos estímulos, como pensamentos, sentimentos e/ou sensações, embora a atenção específica mantida seja uma observação livre que não os julga nem analisa. Parece fácil, mas naqueles dias para mim estava im-pos-sí-vel.
Eu espero ter mérito para um dia conseguir participar de um grande retiro ou uma grande prática como o Druptchen de Vajrakilaya que faz alguns anos que faço a inscrição e na última hora desisto, às vezes pelo preço (como há estadia e alimentação e a vinda dos Lamas, é um pouco caro) às vezes pela falta de tempo, ou simplesmente por falta de determinação. Druptchen significa “grande realização”. No passado, monges e iogues experientes executavam os estágios da prática até alcançar um nível elevado de maestria e, então, praticavam-na em um drubtchen, com rituais elaborados, oferendas extensas de tsog e danças sagradas (informações: Chagdud Gompa).

Então desejo para esse ano que cada vez mais possamos lidar com o estresse, com as emoções negativas, com nossos sofrimentos e angústias. Que a gente consiga se sentir bem sobre todas as coisas, consiga praticar, meditar e amar o próximo. Com todas as diferenças e com todas as dificuldades.Um bom final de ano para todos! Bons ventos e boas escaladas!




Leitura obrigatória :-)

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