Bagé, Rio Grande do Sul

E finalmente o feriado tinha chegado.Com a semana curtinha, na quarta feira estava tudo pronto para muitos dias de escalada.O lugar escolhido tinha sido Bagé, RS, distante 393 km de Porto Alegre e 195 quilômetros de Pelotas. A origem do nome Bagé em charrua quer dizer cerro ou colina porque é no meio daquele descampado todo que surgem montanhas majestosas e frias, os chamados afloramentos de rocha. E o Galpão de Pedra, ou Casa de Pedra como é chamada é um conhecido local de escalada de rocha sedimentar e diversas vias conquistadas por escaladores locais e de outros estados.


Como sempre saímos na manhã já tarde, passamos por Caçapava para buscar nosso amigo Iuberê chegando em Bagé a tarde. Deixamos o carro na metade da trilha e seguimos até o segundo conjunto levando parte das coisas e curtindo o entardecer na bonita paisagem de conglomerado. Duas viagens e um bonito acampamento embaixo das pedras  protegido do vento e tudo. Uma boa janta, um bom vinho, uma boa conversa, e a ansiedade para o dia seguinte de escaladas.
Acordamos cedo e nos arrumamos lentamente para a escalada pois as vias eram todas próximas. Nesse segundo conjunto há vias muito bonitas e fáceis, todas de várias cordadas e com um visual incrível. Era nelas que entraríamos. Eu quis guiar todas as cordadas pois eram bem fáceis, e a Beta e o Berê ficaram com a tarefa de rebocar cordas pesadas com o atrito, de tirarem muitas fotos, e escalamos juntos o dia todo, curtindo cada cume e cada cordada.

No segundo dia fomos para o conjunto principal onde fizemos mais alguma coisa, e o frio já estava forte e com vento. Encontramos mais alguns escaladores que tinham ido para o feriado, revemos amigos, fizemos outros, e ainda ficamos para o churrasco do querido Marcos e Lidia, que nos convidou a matar o frio e a fome ao lado do fogo. Depois de um dia cheio, ainda teríamos 2km até nosso acampamento e algumas voltas depois chegamos no destino, e um carreteiro caprichado na beira do fogo com muito vinho e amizades brindaram e fecharam o dia. 
Sendo que tudo que é bom dura pouco havia chegado o último dia. Mas nem parecia. Ainda planejamos algumas vias pra serem feitas, portiamos parte dos equipos e mantimentos até o carro e voltamos eu e Beta até a Lajão para uma última brincadeira antes do final. A caminhada nos consumiu um pouco e o frio castigava mas felizes, muito felizes era o que estávamos além de acabadas e sujas, muito sujas.

Seguimos até Caçapava com os guris a tempo de deixar o Berê e para aquela tradicional parada gastronômica pós escalada, dessa vez o conhecido Aquarela, um bauru caprichado para seguir viagem.

Montando o acampamento depois de alguma caminhada

A noite era de vinho e conversas sobre a transição planetária e o planeta dos regenerados

Caminhada com os meninos pelo segundo conjunto, no local onde diz a lenda General Netto degolou alguns mortais

Depois de muita caminhada, a recompensa

E mais um dia de escalada!

O tradicional e lindo cume da via Tarântulas

Pense numa água tão gelada que dói do pé até a alma

Organização é a alma do negócio

Quieres un mate?


Essas meninas são um "mito" (hahaha)

Iuberê Machado, o Berê.

Parceria é parceria, o resto é bobagem

E são com os verdadeiros amigos que vivemos esses momentos inesquecíveis em lugares incríveis

Betinha na tromba do elefante

Eu guiando a última cordada da tromba do elefante

E são nessas horas que nos sentimos verdadeiramente livres e infinitamente felizes

Primeira noite, cozinha de luxo, toalhinha, banquinho de pedra e tudo e um bom vinhozin, claro
E graças a deus que a vida é feita de muito pôr de sol

Ale tenzin sherpa numa das muitas viagens carregando tralha, mas valeu cada esforço para chegar no melhor lugar para se acampar, trilha linda no mato fechado e acampamento protegido do vento no meio das pedras

Entrada do Conjunto Principal

Chegando no fiestinha móvel de guerra, eu e Berenights

Eu e os meninos, Richard Panda e Zé,  já enredados de tanto ir pra lá e pra cá na trilha
Mirando o céu que sim, estava estrelado (mentalização forte e São Pedro brother)

Sistema de Captação de água pura, direto da fonte (as vezes com gosto de fumaça)

E bóra escalar enton

Via do Lajão, diversão garantida e duas cordadas esticadas de puro disfrute
Sobe os pés e vai embora que o grampo é logo ali (aonde?)

...tão bom se movimentar pelas montanhas...

puxando a corda com força por causa do atrito e o céu azul de brigadeiro
Betinha na concentração

Reunióooonnnnnnn

Te digo esticão hein, hehehe

Começando a última cordada da tromba do elefante, fazendo o contorno da tromba você se depara com alguns esticões até a parada, bem tranquilos, mas como a tromba é estreita (0,5m) é bom não cair...

Bóra lá encarar o elefante então

Felicidade é uma coisa. Nessa hora já tinha até outro nome
Desfrutando o que tem de bom na vida

No cume

E vai de novo...(elas não cansam será?)
Primeira cordada da tromba do elefante, poucos metros do acampamento essa belezura de via num dia de sol

E o campeiro veio conferir a movimentação...Vale lembrar que estamos em uma propriedade privada, tanto no primeiro quanto no segundo conjunto, portanto temos que avisar com antecedência por email os proprietários. Mas esse era gente boa e só estranhou aquele monte de corda e um monte de meninas.

Concentrando para escalar nos musgos, a via estava um pouco molhada ainda dos últimos dias de chuva. Meu psicológico tava bão mesmo, nossa senhora do equilíbrio, viu.
E tudo que subiu tem que descer (cooordaaaa)

Las hermanas

Cume do lajão

Foi muito bom treinar em vias fáceis o que se precisa saber para escalar vias longas, a chamada escalada tradicional. O entrosamento, o conhecimento e a tranquilidade são necessários. Só o frio é que não era assim tão necessário...
Vamos de novo?Zás, zás, záaassss

Tarântulas.

Eu vi gnomos, eu vi duendes, Gnomos não nascem do pé, gnomos não brotam do chão.
E a mente fluente é que é seu meio de reprodução.
Gnomos são nossos amigos, gnomos não são perigosos.
Gnomos são inofensivos e amigos dos mais grandiosos.

Richard Panda e Zé Pedro iniciando via no Conjunto Principal

Trabalho para as manicures. E pintar a unha de vermelho para não roer não adianta se você vai machucar todo o resto

Acordando pela manhã, fogo aceso, café preto, omelete, chapati, mate e bons amigos.Luxo.

Não disse?

Desmontando tudo...

Só mais uma via, só mais uma via...Como sempre, combinamos de sair no domingo bem cedo para não pegar estrada à noite, para não estar destruída na semana, para isso, para aquilo. E como sempre saímos tarde da noite, mas valeu muito aproveitar até o último minutinho..

E nos despedimmos de Bagé com a certeza da volta, com a certeza de estarmos aproveitando sempre e muito, as amizades e as boas coisas que a escalada nos proporciona. Não há nada que pague trabalhar ou estudar a semana toda para depois viajar a um lugar grandioso como esse, estar com quem se ama e deslizar despreocupadamente pelas rochas durante quatro dias. Dormir em barraca, cozinhar com simplicidade, não pensar em cabelo, em dinheiro, em jornais, nem celular nem internet. Lembrar de conversar, de sorrir, de se acalmar, de se conhecer. Pensar em você e no outro como essenciais e próximos, aceitar defeitos e limitações, aprender. E viver. Porque isso é viver, com certeza, o resto, é sobreviver!

Boa semana a todos! Namaste!E que todos os seres possam se beneficiar!E viva as escaladas!

Maiores informações e croquis:
Naoki Arima
Mundo Vertical

Comentários

Naoki disse…
Bah, que saudade desse lugar! Incrível o nosso Rio Grande! Preciso voltar um dia para esse freezer e tomar um vinho no caneco de plástico!!!

Abção
Alessandra disse…
É verdade Naoki, aos poucos vou me afeiçoando ao Rio Grande...e apareça sim!Abçs
p.s.tomar vinho em caneco de plástico é ótimo rsrs
guta disse…
baita post, Ale!
saudades de uma escalada.
bjos
dalheeeeee
q legal essa "tromba do elefante", são vias assim q vale subir...estéticas...adorooooooo
bj grande
Cacau disse…
Parabéns! Parabéns! Parabéns! Pelo blog, por esta viagem, pela celebração à vida! Fiquei curiosa sobre o planeta da regeneração.
Bj!
Anônimo disse…
Hoje acordei para começar a semana e me motivei imensamente depois de ler teu blog: com você é assim, tuas histórias inspiram para que comecemos o dia a dia focados nos sonhos e nos finais de semana:-) Com você vejo que realmente vale a pena viver...sei que com certeza tens trabalho, estudos, problemas, tristezas, mas a leveza que levas tuas horas vagas é que me fascina...E o que é mais interessante é que escreves maravihosamente bem, sem erros, com sintaxe perfeita, o que não se encontra nos outros blogs...mas isso é um adendo...bem, seguimos por aqui. Sou teu fã. Beijos. Horácio, PR
Alessandra disse…
Oi Cacau, obrigada pela visita e elogios :-) E o planeta da regeneração foi uma das muitas conversas místicas na beira do fogo. Muitos acreditam haver um planeta chamado chupão ou mardok na órbita da terra que teria diversas funções espirituais numa próxima era que estaríamos entrando...é isso, beijos e boa semana

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