De bicicleta

Maravilhosa aquela sensação de liberdade de ir e vir, do vento no rosto, e até da rapidez.
Chovia muitoo em Florianópolis. Cântaros. Como sempre, aliás. E eu tinha meia hora pra ir do sul da ilha até a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Ônibus? Teria que caminhar 2km, ir até a Lagoa e mais alguns terminais até chegar na Trindade. Osso. E eu já hiperativa pensando na ilha todinha lá fora e eu em casa por causa da chuva. Um dia só para resolver tudo, meu vôo é às onze da noite.
Vou de bike.
Confesso que ao pegar a estradinha da Cova, lamacenta pra caramba e cheia de buracos, eu me odiei pela indiada. Como pude ter essa idéia? Vou voltar e vou de ônibus. Não vou. Mas e meu diploma de mestrado? Procrastinar de novo? Bóra lá então. Chove mais. Compra capa de chuva: dois reais. Vendedora rindo de vc e carro passando por cima: não tem preço.
Então comecei a olhar aquele mundaréu de carro no engarrafamento. Florianópolis está ficando impensável, insuportável. Mas pra bike não tá fácil também não. As ruas sem acostamento e cheias de buracos que a água da chuva fez o favor de encobrir e eu quase me ferrei, mas mesmo assim, agradeci por não estar parada sozinha trancada no trânsito.
Foi aí que a ficha começou a cair o quanto está sendo legal essa descoberta do ir e vir de bicicleta para tudo quanto é lado. Fui olhando as ruas, as pessoas, a chuva já nem incomodava mais, e, surpresa, cruzei com mais uns quatro ciclistas de capa de chuva igual a minha e tudo!
Cheguei ensopada na UFSC. Subi as escadas de bermuda de ciclista, aquela com as almofadinhas na bunda. Meu professor nem ligou e ainda elogiou eu ter ido na chuva tão longe, menina, você até emagreceu (sim, eu ouvi isso) é claro que ele conseguiria meu diploma, missão cumprida!
Pois é, agora tinha que voltar.
Ah, claro, e apertou mais a chuva. Praticamente chovia canivete, santo deus.
Mas eu já nem ligava mais. Já estava me sentindo, me achando. Eu tinha conseguido resolver um problemão que eu vinha precisando há décadas resolver e tudo isso me divertindo, e de bicicleta na chuva. Merecia até uma recompensa:
TREINAR NO MURINHO DE ESCALADA DA ACADEMIA DO RICARDO :)
A Maximus é aquele lugar que sinto muita saudade quando penso na ilha. E deu pra rever todo mundo. Deu pra conhecer mais gente legal. Deu pra escalar 2-2 com Felipe e Grazi (quem é que nunca treinou desse jeito? muitoo bom). Deu pra ver uma gaaleeera escalando, murinho cheio, quer coisa melhor? Deu pra conversar um monte, matar a saudade, e até conhecer a pimpolha do Ricardo e da Gabi.
Ai, meu deus, que falta que me faz.
Então, já nove horas da noite, pego a bike e volto pra casa das meninas, parecia uma louca, ensopada, descabelada, na chuva, e rindo feliz! Graças a deus a tempo de dar aquele último abraço apertado nas meninas e correr para o aeroporto :(



 Acima o trajeto que fiz, 40km. E agora tenho luvinhas e bermuda de almofadinha.  URUGUAY, me aguarde!

Comentários

guta disse…
parabéns pela determinação!
e que saudades de um 2-2, ou até de um 3-3 entre umas 4 pessoas (ficava difícil logo logo)! mas foi assim que surgiram muitas vias lá na época da Stonehenge em Poa.
Bea disse…
Alê, coisa boa essa tua bicicletada, guria!! me aguarda, tou analisando qual vou comprar, viu?
anavivian disse…
Olá Alessandra! Lendo seu relato lembrei do meu primeiro dia indo pro trampo de bike uns anos atrás, mesmas sensações, peguei chuva no meio do caminho, cheguei ensopada e assim fiquei até o fim do dia. Esse começo é pra testar se a gente tem casca grossa, depois de superar essas coisinhas fica uma beleza, te garanto! Só cuidado, porque essa coisa de duas rodinhas e motor a dois pistões (perna direita e perna esquerda) vicia!! Um grande abraços dos Pedarilhos e desejo de muitas e deliciosas viagens de bike!

Postagens mais visitadas