URUGUAY EN BICI NO ANO NOVO

Começar o ano de forma maravilhosa é sempre muito bom. Se dar conta do que realmente é importante e sentir-se realmente feliz é tudo o que desejo para o resto da vida, e não só para esse ano.

A idéia de começar a pedalar é antiga, e a vontade também. Foi juntar Beta, eu e depois Andressa pra planejarmos nossa "noche vieja" no Uruguay. Pelo pouco tempo que tínhamos a idéia era a de irmos de carro até uma parte e depois seguir en bici. Foi só passar o Natal enchemos de verdade o carro e fomos.
No caminho aquela parada tradicional no Chuí pra chegarmos rapidinho na Fortaleza de Santa Teresa, com o Parque quase todinho pra nós, já que os uruguaios costumam chegar depois do ano novo. Elegemos a praia de Cerro Chato para nosso acampamento e antes que anoitecesse já montamos a bike para ir até as outras praias e comemorarmos nossa chegada. O Parque é enorme, e possui ótimas áreas de camping além de belas praias. Chegamos para dormir bem tarde, depois de ver estrelas na praia, comer deliciosas conservas de beringela cuidadosamente preparadas pela mãe da Andressa,  pedalar muito e ainda hacer noche em Punta del Diablo. Sim, foi um longo dia.
O segundo dia foi de praia e mais praia, e também descanso para o outro dia que seria nossa partida pelo Uruguay. Mesmo assim resolvemos dar uma pedalada e, depois de alguns sustos, ainda preparamos tudo para sair bem cedinho: 5 da manhã. Tudo escuro e um trabalhão pra recolher tudo, deixar o carro e partir com as bicis.
Nosso plano era ir até Valizas, recorrendo as praias, até decidir onde passar o Ano Novo. Seriam 120km aproximadamente.
Não tínhamos idéia do nosso ritmo, tampouco da distância exata que percorreríamos, como também não sabíamos se era uma estrada acidentada ou plana. Se dizia que era uma estrada reta com algumas lomas...mas quantas? Bem, saberíamos a seguir.
O tempo nos ajudou logo de saída, uma chuvinha boa, acompanhada do olhar incrédulo dos militares da guarderia do Parque, que não acreditavam que iríamos solas. Fizemos poucas paradas porque a ansiedade era grande pra chegar. Quando avistamos Aguas Dulces resolvemos entrar e ir pela praia. Sofríamos com o calor e o banho do mar e aquela beleza toda nos motivou a pedalar muito e tranquilamente. Além de que, pela praia, encurtamos em 5km quase o percurso, o que pra mim naquele calor me pareceu ótimo.
Valizas é um povoado maravilhoso. Os batuques, os hippies, as casas, a praia do final de tarde, os cachorros soltos e o artesanato da praça me fez sentir no Uruguay realmente. Escolhemos o hostel B&B e acampamos por aí, num ambiente louco e acolhedor ao mesmo tempo. Me ha gustado mucho.
De noite aquelas coincidências de viagens maravilhosas, fomos comer pizza e encontramos um casal de argentinos que havia passado pela gente na estrada também em bicicleta. Nos reconhecemos mutuamente e foi muito engraçado trocar as impressões do que cada um tinha tido quando se cruzou, os enganos, o acaso, a cumplicidade, e a troca de experiência e alegrias de se estar viajando assim. Ficamos orgulhosas quando vimos o espanto de Felix de nos ver sozinhas e felizes por aí e aproveitamos pra pegar dicas com ele que era bem experiente em cicloturismo, com várias expedições e projetos legais, como este: www.biciconga.com
O outro dia em Valizas foi de descanso, praia e de curtir de tudo um pouco. No outro dia teríamos toda a volta e mais a festa de Ano Novo, e esta não sabíamos nem aonde iríamos passar ainda...Punta Del Diablo? Valizas? Deixaríamos que os bons ventos nos levassem...
Partimos não muito cedo da manhã, porque Uwe, o alemão responsável pelo hostel, despertou de sua cerveja matinal para nos presentear com um delicioso café passado, conforme tinha nos prometido na noite anterior. Ok,hohoho. De Valizas até a Ruta se tem uma estrada de terra seca e ventosa. Diferente da vinda, eu estava desconfortável com a bicicleta.Como não tínhamos alforges, improvisamos as mochilas com os extensores e mais saco de dormir, barraca, e nada parecia se acomodar. Além do que a pedalada na praia tinha ressecado tudo, freios, correia, deixando tudo pesado, e eu ter esquecido o spray lubrificante me fez engolir o choro e não reclamar. No Uruguay também venta muito, e o vento contra estava me deixando preocupada que minhas dores de cabeça do dia anterior voltassem. Também as pedrinhas da estrada desalinharam a roda, fazendo com que o freio ficasse arrastando, pesando mais ainda. Desce, tenta apertar, desapertar. Ventoooooooooo. Eu já estava bem pra trás e nem vi quanto Tomas veio se aproximando de bicicleta. Os bons ventos trouxeram outro integrante pra equipe, e convencemos Tomas a desviar seu caminho e nos acompanhar até a Fortaleza.
Então apesar de todo sol, todo o cansaço, vento e lomas, muitas lomas, aprendemos como reduzir e se esforçar e disfrutar, aprendemos a rir com a chuva, a comer sanduíches com mate de ervas para hepáticos y nerviosos, a comemorar e comemorar o quanto era bom e divertido estar viajando en bici, exatamente como tínhamos imaginada como tinha que ser.
Eu confesso que cheguei ao destino morta. Me esforcei muito no trecho inicial para manter um ritmo forte, então nos últimos kilômetros estava realmente cansada. Também não tinha ido ao banheiro e tomado muita água, o que me causava mal estar. Mas foi só chegar ao Parque vi que estava realmente feliz. Aquela sensação pura e ingênua de se conseguir algo, de se estar realmente onde e com quem se quer, foi tudo muito bom. A Andressa me acompanhava no cansaço, mas não tão exausta. E a Beta, não contente com os 120km ainda quis ir até o Cerro Chato de bike. O Tomas nem se fala.
Começamos arrumar a parrilla e as Champagnes e as Patrícias para a virada que foi primeiro no Parque pra seguir com muita festa em Punta Del Diablo. Música uruguaia, argentina e brasileira e tudo muito do bem. Felizes, felizes. (ráaaaaaaaaa e pegadinhaaaaaas por todo o parque)
Ainda teriamos alguns dias (quantos ainda não se sabia, pero mejor tener dudas que no tener lo que hacer, nos ha dicho Ana) no parque, mas o camping estava quase insuportável. Os banheiros turcos, que já são horríveis e desconfortáveis normalmente, estavam com filas, sujos e haviam tantas barracas que a sensação era de sufoco, não de tranquilidade. Mas tratamos de achar um cantinho.
Nos dias que se passaram, quase todo dia, era dia de rolê de bike. Senão, sentíamos falta. Comidinhas, pizzas, praia e....bike. Nem a noite nos segurava. Chegar de bike para assistir Polleras y Pantallones na praia foi um dos pontos altos da trip, com certeza. Saxofone, luz de headlamp de efeitos especiais gentilmente cedidas pelo Tomas e Beta para a banda, dá para conferir os sons dos caras no youtube, show de bola, e a volta para o acampamento meia noite e vencer os 10km.

E, chegada a hora de voltar, resolvemos adiar mais uma vez e pegar uma prainha. A vontade era de ficar pra sempre desse jeito e a gente sabia que ia sentir muita saudade uma da outra, do Tomas e do quanto conseguimos dividir momentos tão bons e felizes. Tudo parecia ter sido deixado pra trás, todas nossas preocupações, os problemas que vinhamos falando na vinda, coisas pequenas que já não importavam mais. Porque aquela coisa de vento na cara, de se sujar, de rir, de compartilhar, de viver, tinha nos mostrado o que realmente importava.

Acompanhamos o Tomas já no carro e, enquanto ele voltava de bici para a Argentina seguíamos de volta de uma viagem que será a primeira de muitas outras.
San Martín, o lo que sea, esperános pronto!!!!!!!!

Parque Fortaleza de Santa Teresa Uruguay, here we go

Esta poderia ser minha casa em muitos dias do próximo ano que eu acharia uma beleza

En bici por la noche

Comemorando con las estrellas que, un secreto, están mueertaaasss (filosofando)

As estrelas cadentes...a queda do google...

Bicis descansando

Banheiro, eita

Vamos a la playa

La chicas en biciiiiiiiiiiii (ficamos conhecidas no parque)

Vai, vai vai

êeeeeeee

As palmeiras reais do forte foram todas iniciativa de Horacio Redondo
que foi o responsável pelos projetos de reconstrução e vegetação da Fortaleza 

Un mate en la Pajarera

O slack de tarde no dia de descanso

todo mundo tentou

e gostou


Alonga e vai


Las chicas en bici e Beta com sua bici gaudéria: mala de garupa e bandeira do Rio Grande. Mazá.


Y vamosss!!

Chuva, sol, chuva, sol

Olha quem eu encontrei na estrada, pobrecita

Falta pouco, aí o cansaço já tava pegando

Fritando os miolos nessas lomas. Mas a paisagem era incrível, de carros bem antigos e palmeiras


Dále, dáleeee

Robertinha, a supersônica

Bicicletas muy bien guardadas por los guardas vidas :)

Aguas Dulces

Parada para o suco gummy, banho de mar e cochilo de 10min

Ir por essa praia maravilhosa foi muito bom

De bem com a vida

Andressa no hip

Pra quê mais?

Acampamento vip no Hostel B&B em Valizas

cozinha ao ar livre

Betinha na área social do hostel

Tem coisa mais fofa?

não aguentei e roubei um beijo

Que tal?

Ale por Beta

E a Ana nos conseguiu un rico mate para o final de tarde

Brasiiiillll, sil, silllllll hehe

arrumações na barraca antes de sair

Uwweee, ok, ho ho ho

Este é o espírito (panaderia en Valizas)

Haciendo noche en Valizas. Atrás, malabares, característicos de lá, lindos


E o café passado do Uwe foi de ouro, deu aquela reanimada para partir. Incrível como
coisas simples são tão apreciadas quando estamos assim..

Unaaaa palabraaaaa

Sabe que eu tô até preferindo Pepsi? Nada de coca cola por lá

Parada pra descanso, tiendas que vendiam de tudo, queijo, patê de morrón (pimentão)...hummm



cantinho do descanso en la ruta

Na Reserva Ecológica do Taim, início da viagem

Bota as bikes, tira as bikes, bota as bikes...

nem a noite nos segurava

prainha, livro e fofocas

Aqui estamos orgulhosas de nossa primeira parrilla por nosotras

Deu certo!!!!E ficou rebueno!!

Assopra ali ó

final de tarde, depois da praia, sempre mais uma pedaladinha..
ah e o susto de perder essa bolsa vermelha! Nada que voltar alguns km com o coração disparado
e resgatar a maldita, com TODO o dinheiro e documentos E chave do carro

Sempre uma Patricia, uma saidinha...mesmo que cansadas e com frio as conversas
e saídas sempre nos animavam, que nunca nos falte mesmo!!

Fiesta, fiesta!!!Chico Buarque em Punta del Dialbo com brasileiros

aquela coisa de unir colombianos, brasileiros, argentinos,
espanhóis ao som do nosso querido samba e MPB

Vaamooossss, chicas (e a buzina rolava)

feliz e cansada

no embalo
Em Aguas Dulces

cansadas e morrendo de calor, a paradinha pra água e galletas



A chegada em valizas foi muito legal...todo mundo olhava curioso,
 uns mostrando para os outros, mira las chicas en bici!!

pelo peso, claro que levamos só uma barraca...então olha a bagunça!!!


nunca pense que você não consegue cozinhar ou fazer fogo
Una palabra no dice nada
Y al mismo tiempo lo esconde todo
Igual que el viento que esconde el agua
Como las flores que esconde el lodo
(esta foto não esqueceremos)
alinhados e com calor
Ah, o Ano Novo...ó a felicidade!
 abraço...
era ver o sol ali, outra vez aqui...ô vida
morrendo de rir com as cabritas escaladoras
dá beijo, dá beijo
matezito siempre!!!
Champagne de caneca
AMO!!
Feliz Anõooooooo!!!!!!!





 

Valeu, meninas! Obrigada por tudo :)



Comentários

Bea disse…
rico findiano, ale!!uruguay é tudo de bom!! nos meus 15 anos não quis festa, passei 15 dias (hehe) em Pando, pertinho de montevideo com uma tia. foi supermegatri!! abração!!
Alberto disse…
Olá Pessoal, muito legal o blog. Cheguei aqui por acaso, pois sou fã do turismo de bicicleta, apear de morar em São Paulo, onde as bicicletas são tão respeitadas quanto as baratas. Mas mesmo assim, quando viajo de carro para um destino conhecido, não deixo de levar bicicleta. A verdade é que o meu comentário, como sugestão, fica para vocês colocarem um pequeno mapa do roteiro que vocês fizeram para que os demais internautas do Brasil e do mundo conheçam os lugares e a trilha que vocês fizeram.
Tudo isso porque já fiz uma viagem há alguns anos pelo litoral do Uruguai (de carro) que foi interrompida por total falta de estradas (se existiam estava sumidas) e informações (ainda não tínhamos essa maravilha do Google Maps e do GPS).
Obrigado e parabéns pelo blog.
Alessandra disse…
Oi Alberto! Vc não deixou nenhum mail de contato então respondo por aqui mesmo :) A idéia do mapa é bem legal, apesar de que nosso percurso foi curto e quase todo pela ruta...por onde vc foi?Ah, e apareça sempre, grande beso
Alessandra disse…
Bea, onde fica Pando, nunca ouvi falar..só vc mesmo guria rsrsr E lindaasss tuas fotos do Nepal :):)

Postagens mais visitadas