De bicicleta pela vida

E a volta pra rotina é difícil. Ai, começar tudo de novo dói. Então o que estou tentando focar agora são todos meus projetos para o próximo ano, de trabalho, metas e objetivos pessoais. Tenho um doutorado pela frente mas não quero deixar de fazer as coisas de que gosto tanto: viajar, conhecer coisas, escalar, pedalar, ter esse estilo de vida que alimenta meu corpo e alma e que, longe disso, me sinto deprimida e frustrada e nada vai pra frente. Pensando nisso, já vi que não posso descuidar do preparo físico. E muito menos do equilíbrio mente e corpo. Então, nada de parar de pedalar pra não perder o ritmo! Com esta viagem que fizemos, eu e as meninas ficamos muito felizes com nosso rendimento. Fomos sem preparo nenhum, sem muitos equipamentos que nos facilitassem e conseguimos viajar uma distância considerável com tranquilidade e diversão. E cada vez estamos melhores pois estamos tentando manter a frequência de 1h, 1h30 de bici por dia, 20, 30km mais ou menos, 2 a 3x por semana, o que pra nós está ótimo.

Mas como é difícil!!!
Não pela falta de vontade, não pela dificuldade ou cansaço, nada disso, mas sim pela falta de educação das pessoas!!!!Incrível!
Dá muita tristeza sair pela cidade e não ser respeitada, os carros cortam na frente, os caras gritam coisas desagradáveis, fora que na cidade há pouquíssimas ciclovias (uma ou duas!!!Numa cidade de 300 mil habitantes!) Os motoristas de carro são os mais horríveis, não tem paciência nem com outros motoristas que dirá com ciclistas! E além de não haver ciclovias, nas estradas não há acostamento. Sim, missão impossível.
E eu acredito que essa tristeza e descaso não seja exclusividade da minha cidade, apesar de que senti uma grande diferença no comportamento dos uruguaios, muito mais amistosos e agradáveis. E com isso, infelizmente ou felizmente, vejo pipocar pelo mundo e Brasil afora movimentos tentando assegurar o direito dos ciclistas.
No Rio de Janeiro, já houveram cursos de Educação Cicloviária, visando sensibilizar e educar, técnicos, operadores e todos aqueles envolvidos com mobilidade na cidade. Os participantes puderam conhecer as vantagens e benefícios do uso das bicicletas nas cidade além de aprenderem o básico sobre como manusear este eficiente veículo. Além disso, há um movimento chamado Massa Crítica em todo o mundo que busca integrar e conscientizar ciclistas e comunidades ao mesmo tempo, tudo isso com passeios gigantes com miles de bicicletas ao mesmo tempo. Há o  Massa Crítica de Porto Alegre, Portugal, e, como falaram nossos amigos de viagem, há também o de Buenos Aires, além de muitos outros bem legais. Até não é o meu estilo muita gente ao mesmo tempo, mas vale tudo para mexer um pouco com a cabeça das pessoas. Meu deus, a rua é pública!!! E citando o excelente artigo do David Marski: "A bicicleta não atrapalha o automóvel na ocupação de espaço nas ruas e avenidas. Pelo contrário: de uma forma ou de outra todos tem que se transportar, conclui-se que cada motorista que deixa seu carro em casa e sai de bicicleta abre espaço nas ruas, tanto quanto é a diferença entre o espaço que ocupa um automóvel e uma bicicleta. Se centenas, milhares de pessoas fizerem essa opção, o espaço aberto será enorme, muito maior do que aquele que se consegue gastando fortunas do dinheiro público com ampliações de avenidas e construção de elevados."

E ainda:

"A luta do ciclista é contra a ideologia que dá prioridade máxima ao automóvel - a locomotiva histórica do sistema capitalista. Mas, apesar de estarmos lutando contra um sistema econômicosocial, são as pessoas, influenciadas pela educação e adaptação ao modo de pensar desse sistema que tomam as atitudes cotidianas que enfrentamos no trânsito. De certa forma, não existe esse tal “sistema”. Ou seja, ele existe através das atitudes das pessoas. A ideologia do sistema, o conjunto de idéias compartilhadas, é imposto pela educação e depois é mantido como verdade aceita através de muita propaganda. Mas… como tratam-se de atitudes pessoais, de individualidades representando o sistema, de seres humanos repetindo padrões de conduta, esse sistema pode ser modificado também por atitudes, pelo exemplo contrário ao estabelecido.


Os ciclistas que enfrentam hoje o trânsito das cidades são pioneiros abrindo o espaço para o futuro. Foi-se o tempo em que a rebeldia revolucionária era representada pela moto. Ciclismo é sinônimo de saúde e juventude, indiferentemente da idade. A melhor estratégia para essa luta é conseguir mostrar o quanto é bom andar de bicicleta. Criar uma irmandade entre todas as pessoas que andam de bicicleta. Ciclistas devem se cumprimentar quando se cruzam nas ruas, deixar extravazar o prazer que estão sentindo invadidos por endorfinas criadas pelo esforço físico e pelo andar numa velocidade em que se pode admirar a paisagem e as pessoas.
A revolução ciclista é lúdica! A bicicleta é um brinquedo de criança que se transforma em prazer e opção de transporte para o adulto."
(Vale muito a pena ler o artigo na íntegra ou o manifesto)

Bem, fica dado o recado. E a semana foi de reorganizar tudo e se dar conta de perdas e ganhos importantes. Perdemos pessoas que amamos e admiramos muito e ganhamos a consciência de se viver de forma simples porém intensa, nos dando conta o quanto é maravilhoso se estar feliz, se fazendo o que se gosta. Obrigada ao Bernardo por mais esta lição.




Bicis descansando do sol


Las chicas en bici


Praia do Laranjal, Pelotas, RS





Comentários

guta disse…
falou tudo!
no vale do taquari até que se tem um pouco mais sorte que em pelotas, tem muitas estradas mais ou menos boas pra pedalar.
o problema maior é nas cidades mesmo. aí sim, vai explicar pra um prefeito que tem que criar pistas exclusivas pra ciclistas...
bjo
Não desanima não ! Andar de bike é tudo de bom !!!

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