Here we go...

Hoje enfim terminei o projeto de uma disciplina bem exigente do Doutorado, em que eu e meus amigos testávamos o efeito inibitório de algumas plantas (macrófitas) sobre bactérias e protozoários no Estuário da Lagoa dos Patos, RS, com consequente desequilíbrio na reciclagem de nutrientes desse ecossistema pela diminuição desses microorganismos. O título era " Efeito alelopático de Potamogeton pectinatus L. (Potamogetonaceae) sobre a cadeia alimentar microbiana" e nos custou muitos finais de semana debruçados em artigos, dados, e em material para os seminários... Muitos mates e guloseimas depois vejo que cada vez me fascina mais o aprendizado, a curiosidade, o discutir, o aprender...
Por vezes me parece não tão emocionante estar no mesmo lugar, sem caminhar ao mato, sem estar com pedras ou nos mares, com amigos que viajam, mochilas cargueiras, lugares diferentes...
Mas raros (e cada vez mais raros) momentos me sinto entediada, mesmo sem viagens, mesmo estando na mesma cidade, com os mesmos amigos, com suas mesmas histórias...Pelo contrário. Me vejo cada vez mais afeiçoada aos dias com os cães, vendo-os correr de forma louca na volta da minha casa de madeira, brigando com eles cada vez que eles devoram o lixo (não poucas vezes). Também me vejo apegada à rotina de acordar com calma, mas com horário, sabendo que terei um dia cheio e previsível. Arrumar a casa, colocar as almofadas no sol, ficar na internet,  rir com as amigas tomando vinho. O melhor ainda é ver filme com frio no sofá  (prison break), tomar um mate na praia, caminhar no frio da avenida cheia de plátanos, fazer almoço, ir para a faculdade e tomar café na salinha do café do laboratório.
São meus prazeres do dia a dia.
Sinto falta sim de mais movimento. Escalar no Morro da Cruz subindo aquela trilha bem devagarinho pra não cansar, ou ir até Canto Grande pra escalar vendo o mar, ir, voltar, ir, voltar até as vias da Barra nem que seja pra dar uma olhadinha ou fazer as vias fáceis, ir surfar no matadeiro mesmo em dia de vento forte ou chuva, ou ainda caminhar no domingo pela praia, ou no final da semana escalar na Pedreira do Abrãao jurando nunca mais perder o ritmo de treino pra não ficar frustrada por não querer guiar.

 E quando eu estava lá, eu sentia falta daqui, da tranquilidade, do ter o que fazer...
A vida é assim mesmo, e o que ela mais sabe é dar voltas. E o que nós mais sabemos com certeza é sentir saudade.
Então me despeço com desejos de boa semana pra todos deixando este vídeo de escalada que eu adoro e que vou revê-lo agora no quentinho da minha sala, com um saco de dormir, duas meias, quatro (juro) blusões, e um casaco de fleece, e claro, uma estufa.
Nota: O vídeo é especial porque mostra a escaladora Juliana Peters de Florianópolis em nada mais nada menos que Indian Creek.

E como dizia Fernando Pessoa "Para viajar, basta existir"...


Comentários

Yuri Hayashi disse…
Alê, Kmon aí nos projetos! De estudo, escalada, vida...
E o vídeo é demais! Vou botar no EC! Ispiração boa! ;-)
Beijão!!!
Bea disse…
Alê, o cotidiano reinventado é tudo de bom!! adorei tua postagem. tu sabes o caminho do bom viver!!
abração, bea

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