Mulherada





Confesso que queria deixar o post do ano novo aí, de primeiro post, pra mostrar as fotos pra galera já que foi uma viagem e tanto, cheia de coisas legais. Mas me inspirou muito a nova edição da Mountain Voices com a Fernanda Rocha e as Escaladoras do Sul.

A escalada anda esquecida nos meus dias ultimamente, mas como já disse por aqui, ela está sempre lá, esperando ser aquiescida, esperando ser revivida. E será, sempre. Apesar da rotina, apesar do trabalho, da falta de parceria, ela está lá, me esperando, pra toda vida.

Para mim, sempre, qualquer agarra, qualquer rocha, qualquer via, por mais simples ou insignificante, por mais fácil que seja para os outros, não importa, o estar lá me faz feliz. A Minha escalada. O meu jeito de ser. Como o livro do Luciano, o Meu Everest. Claro que eu queria mais, mas ainda não consigo.

Por isso é maravilhoso ler os relatos de quem consegue transcender o desejo e a paixão pela escalada e se dedica de corpo e alma, todos os dias ao que mais gosta, consegue conciliar vida e trabalho com escalada.  E mulheres, ainda!!! Guerreiras como a Fernanda, que não conheço, ou as meninas do Sul, doces de pessoa como a Luana, que conheci em Campo Alegre, e a Andréa que tive a honra de ver seu início na escalada, sua determinação incrível e sua disciplina e paixão pelas pedras, a "rata" do Morro da Cruz, inspiração sempre.  Mulheres que conseguiram de uma forma ou de outra viver da escalada, levar adiante projetos, cumes, escaladas fortes. Conseguiram viver a SUA escalada e evoluir, ser exemplo, motivação.
Ler seus depoimentos na Mountain Voices foi realmente algo muito bonito. Relatos de viagens que me impressionaram pela sensibilidade e também pelas dificuldades enfrentadas, acho que é claro que pra nós mulheres ficam algumas dificuldades a mais, mas as meninas demonstram passar por essas diferenças e, como a Fernanda diz, não se trata de superar os homens, mas sim de encontrar nosso jeitinho, com leveza, e encontrar a melhor maneira de se vivenciar o que se quer.

Pra minha vida trago o exemplo então de construir o meu caminho. Talvez eu nunca consiga ter a realização da Kika Bradford, da Ju Peters (agora mamãe!), da Cristal,  de escalar tranquilamente em Yosemite e Chaltén ou mandar vias difíceis do Cipó como as meninas de Minas. Talvez eu não tenha nunca a facilidade da Lu Maes para mandar fendas, nem seja corajosa como a Luana, a Andréa e a Dani pra encarar altitude e gelo, mas a estrelinha delas me inspira a querer viajar e descobrir milhões de escaladas divertidas e possíveis pra mim no momento. Me motiva a seguir sempre na rocha, evoluindo pouco a pouco, sempre com o sorriso no rosto, a mão cortada e suja de magnésio, os joelhos marcados, mochila usada, chuva, muitas vezes e visuais deslumbrantes e amigos maravilhosos, na maioria das vezes.

Ou só pode ser feliz quem escala bem?

Bom Ano para todos (não custa repetir) e que a gente possa evoluir sim, mas só para conseguir aproveitar mais em lugares mais legais.
Que a mulherada continue arrasando e não aceitando os limites que um dia nos foram impostos (limites?)
E não deixem de ler a matéria do Dani Casas sobre Corupá, o paraíso descoberto. Tá aí um motivo que eu queria evoluir, ó, imagina ter sangue nos óio pra escalar em um lugar desses? Ainda chego lá.

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