Andanças da Pati


Este ano comecei o ano em um lugar maravilhoso, que gosto muito e espero poder visitar a toda hora, já que fica aqui pertinho. Vieram amigos de Floripa, Curitiba, e até mesmo a Marta Medeiros, colunista da Zero Hora comentou do lugar, que realmente é paradisíaco. E a Pati Guatimosim, uma mineira muito gente boa que conheci quando ela voltou da Patagônia com o Michele, foi corajosamente mochilar pelo Uruguai. O combinado era encontrá-la na Fortaleza no 31, mas a menina perdeu-se nos encantos de Punta Del Diablo e Cabo Polônio e ficou por lá. Conheceu Montevideo e tudo mais, e me mandou um relato super bacana além de fotos maravilhosas.

Uruguai...é pra lá que eu fui nessas últimas férias. País pequeno, ali discreto entre a Argentina e o Brasil, lugar que eu sempre “pulei” nas minhas viagens. Tá bom, ok, férias curtas, pouca imaginação, palpites de alguns amigos e lá fui eu. Dale!
Pati


O plano inicial era chegar a Montevidéu e dali subir pela costa até a Fortaleza de Santa Tereza. A única certeza que eu tinha é que eu iria me fixar em no máximo dois lugares e percorrer os arredores de ônibus, em pequenas incursões de um dia. Já que eu estava fugindo dos destinos mais óbvios, o meu roteiro dentro do Uruguai foi sendo feito seguindo essa mesma tendência. Fui indo para lugares que antes de eu deixar o Brasil eram praticamente desconhecidos. Fui com pouca ou nenhuma informação, sem fuçar a internet e pegando apenas as dicas básicas com um e outro amigo que estivera na região.
Não deu outra: rolaram só surpresas. Vá lá. O começo da viagem não foi assim tão empolgante. Montevidéu é uma cidade pequena, simples, fácil de conhecer. Tem um ar que mistura soberba e decadência, tem mais pobreza do que eu pensava (e umas carnes e sorvetes ótimos que eu já imaginava), mas nada assim que tivesse uma força, uma energia mobilizadora. E olha que eu corri atrás dessa energia! Acho que eu andei por todas as ruas do tal Barrio Sur procurando os grupos de candombe, mas em vão, não encontrei nem um só tamborzinho.
Dei um pulinho ali em Colônia, depois outro pulinho em Punta Ballena, e o Uruguai foi começando a mostrar o seu charme. Detalhe, o lugar mais turístico do país (Punta del Este) ficou de fora do roteiro: passei pela cidade de ônibus e logo vi que ela não era muito a minha cara (e nem o meu bolso). Mas, sem preconceitos, como diz a minha avó, cada qual com o seu cada qual!



O típico uruguayo na feira de antiguidades



Um olhar diferente sobre os prédios do Uruguay

Apesar dos grupos massivos de turistas em Colônia e na Casapueblo em Punta Ballena (muitos deles brasileiros) e até de uma certa disputa para fotografar certos lugares (e eu que achava que ninguém dava nada pelo Uruguai), fui me apaixonando. E descobri que uma das melhores coisas do Uruguai são .... os Uruguaios! Amantes do sol e dos animais, eles são sensíveis, abertos e atenciosos! Quer coisa mais linda que o poema do Carlos Vilaró ecoando junto ao pôr do sol? E que pôr do sol! Em uma tarde de tempo fechado aquela aquarela de nuvens e as várias tonalidades do céu no momento do poente foram quase um milagre.
O tempinho continuava instável, mas eu já notando uma certa movimentação mochileira no agradável Terminal Tres Cruces...pensei: hora de colocar a bagagem nas costas e armar logo a minha barraca em algum ponto do departamento de Rocha (já rumo a Fortaleza). Acabei indo parar em Valizas, sem ter nenhuma idéia do que me esperava e apenas com o simples objetivo de conseguir um lugar na sombra e no sossego.

arquitetura típica e uruguaios típicos



todo a energia boa do lugar e ainda uma lua emoldurando tudo



prainha


Os lobos de Cabo Polonio


´música e liberdade na beira do mar, o compromisso de estar bem e só

Poxa! Depois de descarregar passageiros em lugares mais movimentados, como La Paloma, La Pedrera e Cabo Polônio, o ônibus quase vazio entrou na pacata Valizas, que antes do reveillon era só dunas, vento e o mar. Os dias foram deliciosos, céu azul, novos amigos, música brasileira tocando aqui e acolá e muitas pessoas desembarcando na cidade. A praia pontilhada de pequenas casinhas de veraneio (muito pequenas mesmo, casinhas de boneca!) é adornada por um conjunto de dunas e por um rio, oferecendo um ambiente capaz de promover gostosas caminhadas. As pessoas foram chegando, lojinhas foram sendo abertas, sabores foram sendo descobertos nos restaurantes, velas foram sendo acessas na feiras e inúmeros artistas foram se aglomerando a cada dia na praça central da pequena cidade. A tal praça, aliás, nada mais é que um gramado com uma estátua ao centro e alguns bancos de madeira ao redor: seu poder está, contudo, em aglomerar e promover o contato entre os visitantes, sendo palco para diferentes tipos de movimentos culturais e artísticos. Galera alternativa, malucada, capoeira, artesanatos, malabares, e um ano novo regado a candombe (finalmente!), a muita dança e a algumas Patrícias (a cerveja!). A sensação de “dejà vu” era inevitável...tambores, calor, ritmos, vibração, gente bonita, bar copo sujo, e eu só notava que não estava no Brasil porque alguns de nossos melhores sambas foram cantados com um certo sotaque. Sim! Os Uruguaios ouvem música brasileira, arranham um Português e parecem adorar o nosso país, o que parece aumentar com a proximidade da fronteira.













Mas havia o tal do Cabo Polônio! Desde que eu tinha chegado ao Uruguai, todo mundo comentava desse lugar e de Punta del Diablo...e eu que até então tinha ouvido apenas falar em Punta del Este! Que descobertas! Cabo Polônio....olha, faça como eu: vá você mesmo conferir! Vou te mostrar umas fotos apenas para te dar um pouco de água na boca:
O lance lá é a energia, as pessoas, e os lobos! A falta de luz e a inexistência de automóveis dão seu charme, mas existe alguma coisa além disso! Alguma coisa intensa, como o cheiro que vem dos animais marinhos (e a impactante imagem de muitos deles mortos pela praia) ou alguma coisa mágica, como o pôr do sol e o nascer da lua quase simultâneos, vistos do extremo do Cabo, onde se localiza o lindo e bem conservado Farol.






O farol de Cabo Polonio


Chega! Prometi e não gostaria de falar mais. Tem que ir, ver e sentir! E para fechar com chave de ouro: Punta del Diablo! Que praia deliciosa, que gente descolada! E a Fortaleza mesmo ficou para a próxima...É assim, a gente vai sem muitas pretensões e volta cheia de impressões (e de aspirações de um retorno muito em breve!).


Até a próxima!

Comentários

Pedro Hauck disse…
Que saudades do Uruguai!!!
Eliza disse…
Que saudades do Uruguai 2"
Muito bacana a postagem. ;)
Parofes disse…
Belas fotos! Um dia piso lá...rs

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