Sessão nostalgia

Mariscal, SC, 2007

Boulders Caldeirão da Praia do Armação, Floripa, SC, 2008

Open Winds, Lagoa da Conceição, 2006


YUHUUUUUUUUUUUUUUU!!!!!!!!!
Segunda feira eu parecia explotar de alegria com minha amiga Beta. Depois de uma tarde desanimada eu e Beta combinamos de ir pra Pedreira escalar, tomar um mate, passar o tempo, já que já era quatro da tarde e o feriadinho estava chegando ao fim. Parecia um domingo de sol, aquele calor sem praia, uma sensação muito estranha pra mim. Fomos animadas, só nós duas e um monte de equipos. Eu teria que guiar pra nós e estava animada com a ousadia de guiar pela primeira vez na Pedreira. Eu sempre fui medrosa pra guiar. E confesso que andava bem frustrada depois do fiasco em São Bento, eu doente, sem conseguir escalar nada nem no Campo Escola!E desde janeiro, quando quebrei os dois pés, não tinha guiado ainda, e faz tempo que estava malhando as vias da Pedreira, ansiosa pelo dia que tomaria coragem. Pedra diferente, tudo diferente, eu fora de forma. Mas vamos lá!Tomei coragem, a Beta naquela caalmaaa dela, me encordei e fui, na Mutação. Falei, Beta, vou até o crux e deu.Ahahaha.Assim não vale, vocês diriam. Mas pra mim já valia, e muito! Depois na Canguaçu. Falei, Beta, vou só o primeiro lance (que é meio equilíbrio, meio força, bem diferente das minhas aderências queridas). Fui o primeiro, fui o segundo...abri o maior sorriso do mundo. Mas o mais legal aconteceu na mutação. Eu guiei uma parte pequena, armei uma parada com duas costuras (que não leiam isso os meus mestres hehe), desci, e a beta ia de top hope, pra depois eu tentar guiar o resto. Aí a Beta foi, chegou na última costura,e eu falei pra Beta, amiga, queres guiar pelo menos um lance? A Beta costumava escalar com o namorado, mas foi com a formação da nossa super equipe feminina, há poucos meses, que ela voltou pra rocha, animadíssima. Nunca tinha guiado, mas me respondeu, vou guiar esse lance sim. E foi!!! Eu vibrava e ria, mas mantive a voz bem calma e fui dando os
betas pra Beta (rsrsr). Ela puxou a corda normalmente, eu disse, coloca na boca, ela puxou a segunda braçada, eu pensei, putz se ela nao costurar, fudeu, rsrs, ela esticou pra costurar, deu uma tremida e...foi!!!!!!Quando eu escutei o clic da costura eu comecei a gritar: caaraaacaaaaaaaaaa, a gente é foda. Putz, fiquei muito feliz. Foi um grito de independência kkkk.


E eu tenho até uma historinha...(eu sempre tenho uma história pra contar)
Quando eu fiz meu primeiro curso de escalada, eu morri de medo. Foi a maior frustração o meu péssimo desempenho e nenhuma diversão. Isso acho que há uns 6 anos. Meu instrutor lá pela terceira aula, olhou pra mim com aquele pavor de altura e disse, é, talvez seja melhor você se dedicar aos boulders. Eu considerei aquilo um desafio e não parei mais.Vi que era aquilo que queria fazer e pronto. Comecei a ir no muro de escalada, com aquele que foi meu maior amigo e instrutor, o Cristiano Back, figura itacolumística, e nos primeiros dias não dava pra acreditar no meu medo. Mas eu insistia, e ele começou a insistir, e muito. Começou o treino físico, escalar de pés descalços no muro, eu no meio de um monte de cueca, ficar pendurada em pêndulo pra perder o medo, treinar nós, escalada artificial, além de participar de um monte de programas de TV (Clá, lembra nós na Pedreira do Abraão?haha) e sair na capa da Donna Fashion escalando, tudo isso pra me motivar. E deu certo, fiquei um tempão escalando direto, até que torci o pé feio num treino. Gesso.Desânimo.Meses sem escalar.Uma pena. Medo de novo. Escaladas esporádicas.Surf.Mas eu ainda convivia bastante com a galera da escalada, e tinha ainda o privilégio de escalar com muita gente boa, o que mantinha aquela vontade de: um dia eu volto.Como não tinha muita gente iniciante, eu era metida, e incomodava os meninos que mandavam bem pra caramba mesmo, o Francisco Sem Noção, o Eleandro, o Evandro.. Eu ia escalar com as meninas que tinham começado bem depois de mim, e ficava chateada porque elas já escalavam bem melhor que eu, mas motivada,vejo que cada um tem um tempo,e aprendi com elas a não desistir e a principalmente que nada vem de graça, elas tinham uma motivação e uma disciplina tremenda! Claro que nem era meu objetivo chegar tão longe, mas qualquer evolução não viria de graça, portanto a Andréa Soares, também a veterana Ju Petters entre outras sempre mantiveram o foguinho da escalada no meu coração bem aceso.Hoje em dia eu vejo como levava tudo na brincadeira, ficava conversando na base da via, tomando mate, enquanto muitas estavam focadas em vencer o lance, ou a via do dia. Eu queria era estar lá e tal. Hoje já vejo
diferente.Foi quando fiquei um tempão sem escalar, até que, depois de um fim de um relacionamento longo, decidi, vou voltar a escalar. Aquelas doideras, umas cortam o cabelo, outras emagrecem, eu queria era voltar pra rocha.E foi em grande estilo, fui pra Argentina. Então, juntei um trampo que consegui em Ushuaia de voluntária num Museu no Canal de Beagle, e de lá fui pra Chaltén.Sozinha.De mochila e equipos de escalada. Claro que lá não escalei grandes coisas, só rocha e olhe lá, boulders (bons, muito bons) e vias curtas. Mas foi lá que deu aquele aperto: é isso!!! Eu via a galera na base das vias de forma descontraída, amiga, aquela alegria de estar na rocha, alegria plena de escalar. Na hora eu já retomei todo o gosto pela coisa, e vi que podia sim me dedicar a passar boa parte da vida, ou todo meu tempo livre escalando, sem problemas, eu gostava muito de estar como estava lá. Além de conhecer pessoas maravilhosas, que se tornariam grandes parceiros de escalada e que dividiríamos muitas cordadas. Então quando voltei ao Brasil trouxe a tiracolo vários amigos, e passei o ano todo praticamente escalando e estudando e trabalhando um pouco. De novo escalava com amigos bem melhores que eu, e acho que isso atrapalha um pouco, pelo menos pra pessoas com minha personalidade, eu acho que me intimida e me frustra um pouco. O lado bom é que você aprende muito, eu tinha a sorte de estar sempre com feras, tirando dúvidas e olhando eles mandarem vias lindas e difíceis. Mas apesar de evoluir pouco nesse período, foi quando mais me diverti, viajando sem parar pra escalar. Nada de mais, mas saía pelo estado e arredores e foi quando fui a Bolívia também.Então, numa dessas curvas e interpéries da vida, não bastando ter quase morrido de soroche na Bolívia, eu quebrei os dois pés. Escalando,claro. Mas, como Joseph Climber, eu acho que não desisto muito fácil não, ou sou muito inconsequente. Então, assim que tirei o gesso, e sabendo que viria pra Pelotas, tratei de me despedir das escaladas da ilha, além de me determinar a escalar muito na minha nova vida no Rio Grande do Sul.E aqui, me sinto numa nova fase. Quando a gente se determina a mudar, seja no trabalho, na aparência ou em qualquer atividade, a mudança vem naturalmente. As vezes devagar, mas ela vem sem que você sinta, você absorve a idéia e ela se incorpora no seu dia-a-dia e nas suas atitudes. Eu voltei para o lugar onde nasci porque precisava parar um pouco e rever minhas ganas e objetivos. Queria trabalhar em algo que gostasse muito, estudar, criar, evoluir. E vejo que a escalada tomou dimensões maiores pra mim. Sinto vontade e necessidade de aprender, de tentar mais e de ser mais.

Recentemente eu perguntei para um amigo especial: você acha que há a possibilidade de alguém não conseguir escalar de jeito nenhum, não aprender nada, não evoluir? E ele me respondeu dizendo que dependia do objetivo da pessoa, se era ser uma boa escaladora esportiva, se era fazer vias diferentes, big wall, tradicional, etc. Na hora pensei, ah, acho que não quero grande
coisa não, escalar no final de semana, viajar de vez em quando, esportivas...aí lembrei das proteções em móvel que tinha visto no curso, lembrei dos filmes de big wall, lembrei das meninas, lindas, guerreiras e fortes, a Andréa, a Luana e a Daniele de curitiba, a Ju em Yosemite, a Kika Braford do Rio, e pensei, POR QUE NÃO?? Por que se limitar??Eu quero tudo sim. E quero mais.E olha que só guiei parte da Mutação. Quando eu guiar a Pedreira inteira, ninguém me segura, eu vou conquistar o mundo.
Alguém duvida? (ooolhaaa hehehe)

Comentários

Gil disse…
Perfeito... para o alto e avante!
O montanhismo te possibilita vários fins: harmonia entre seres e espaços, superação de desafios, fortalecimento muscular, evolução técnica, enriquecimento do currículo ou um simples passa-tempo... enfim!
Não sei dizer o melhor, ou mais correto... mas que é bom o que fazemos, isso é. Parabéns por superar este obstáculo...

Bj...
robertancorrea disse…
Amiga, só tenho uma coisa pra te dizer... PERDEU O VALOR DE CULTO! Agora sim fudeu! ahahhah...
E que nunca nos falte!
Beta
Parofes disse…
Obstáculos foram criados pra tornarem a vitória mais saborosa!
Em relação ao título: Bons tempos geralmente ficam na memória por muitos e muitos anos....é isso ae!
Isso que conta!
Bjão e boas escaladas

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