segunda-feira, janeiro 02, 2017

Porque para pedalar basta existir: relato de mais uma cicloviagem pelo URUGUAY

Minha terceira viagem de bicicleta começou com um sem número de preocupações de uma vida comum imersa em dificuldades e rotina as quais não percebemos como nos sufoca e nos tira do caminho da plenitude e  serenidade. Coisas que vamos deixando passar, vamos fingindo não nos incomodar, vamos compensando com outras regalias para ao final explodirmos em estresse e frustrações.
Um pouco antes de setembro coloquei na cabeça que precisava ao menos um mês de férias sendo eu mesma. Comentei com algumas pessoas e meu primo, de longe e pela internet, marcou o desafio. Sairíamos em 10 de dezembro. E ponto. Se eu não tivesse acertado com ninguém, eu teria a essas alturas mais uma vez me boicotado seja por dinheiro seja para agradar alguém próximo. Mas não. Então arrecadei mundos e fundos, revisei minha bicicleta e dia 10 meu primo estacionou sua camionete cinza  para carregarmos com tudo e eu iria no outro dia de ônibus, para então nos encontrarmos e seguirmos até Montevideo, partindo do Chuy.
Já no ônibus eu senti um aperto, estava viajando sozinha, o namorado dando adeus na rodoviária, meus cachorros e minha casa entregue a favores, e eu pensei se não estava sendo egoísta ou irresponsável. Mas não tive tempo de pensar muito, logo cheguei e iniciou uma maratona de cumprimentar uma turma enorme de tias e primas me esperando carinhosamente na rodoviária. Arrumamos as coisas que faltavam, almoçamos, dirigimos até a fronteira e ali trocamos o carro pelas bicicletas. Um frio de ansiedade invadiu meu estômago e eu tratei de automaticamente checar bikes, lanternas e alforjes, para, ao ver se estava tudo em ordem, mecanicamente afastar a ansiedade. Então tiramos a foto clássica da partida e...partimos.
Quando partimos para o novo nos permitimos. Permitimos a curiosidade, o ousar, o conhecer, o estranhar. Permitimos um desconforto produtivo que nos permite agir ao invés de reagir, buscar ao invés de esperar, e mudar ao invés de simplesmente aceitar. Em uma cicloviagem esse novo me permitiu me ver como uma pessoa corajosa, capaz, bonita, valente, forte. Capaz de mudar várias situações da minha vida, capaz de tomar difíceis decisões, de decidir rotas, de aguentar uma forte rajada de vento e voltar da tempestade refeita e certa de estar bem. Como em diversas situações dos últimos dias, vi como posso sim me manter bem humorada, sem raiva, resiliente, positiva, amiga, carinhosa, mesmo nas dificuldades. Eu me vi uma pessoa boa e importante, inteligente e motivada a ir atrás de meus objetivos.
O primeiro trecho era de 43 quilômetros. Saímos já as duas da tarde e eu já havia falhado na outra vez viajando de bicicleta com uma amiga, mas estava confiante apesar do vento forte e calor. Conversamos a maior parte do tempo, já que meu primo, apesar de meu primo, mora longe e havia muito tínhamos perdido o contato. Chegamos no final da tarde e eu indiquei ficarmos na minha segunda casa uruguaia, um albergue de uns amigos logo na chegada de Punta Del Diablo. Conseguimos descansar, tomar mate, jantar, conversar, menos dormir, no meu caso, já que as cinco da manhã pulei da cama num misto de ansiedade e preocupação. Minha cabeça ainda pairava sobre minha realidade pelotense, minhas inseguranças, medos, desconfortos. Dívidas, ciúmes, trabalho, o cara da piscina, o jardim desarrumado, roupas para passar, ou seja, problemas existenciais de extrema importância e salubridade. Logo meus amigos acordaram e em seguida meu primo despertou para tomarmos café e partirmos.
O segundo dia eu estava refeita das dores na perna e da menstruação do primeiro dia. Sim, uma mulher pode se lançar em todos os desafios mas tem que lidar com essas impossibilidades que os homens com certeza não dariam conta. Eu sangrava como um animal abatido, e ao chegar me dei conta do desconforto de estar naqueles dias logo no início da viagem. Sem contar as piadas e dúvidas ouvidas ao longo da viagem por ser mulher, eu procurava ignorar com toda minha racionalidade, mas percebi como com o tempo aquilo me incomodava, me feria e me magoava. Perguntaram sobre um carro de apoio (?) , sobre como meu primo aparentemente teria feito tudo ou me levado nas costas e ainda um elogio estranho dizendo, para um mulher você está muito bem. Mas para minha sorte meu parceiro de viagem se mostrou extremamente sensível, companheiro e diferenciado. O tempo todo compartilhamos decisões, dividimos tarefas e responsabilidades e em nenhum momento me senti preterida ou menos importante. E eu demonstrei minha surpreendente força, mental e física, acompanhando o tempo todo e por vezes superando seu rendimento ou performance. Eu estava feliz de estar bem preparada e saudável. Estava realmente satisfeita comigo mesma, em todos os aspectos.
Saímos de Punta Del Diablo em direção a Valizas e pedalamos meus conhecidos 51 km os quais eu havia sofrido imensamente com minhas amigas em minha primeiro cicloviagem a seis anos atrás. Muitas subidas, intermináveis descidas e um calor forte no asfalto abateu meu primo e eu sugeri irmos pela praia os últimos 5km, iria estragar um pouco nossa bicicleta mas nos permitiria arejar, tomar um banho de mar e ainda curtir uma das paisagens mais lindas que recordava. Eu não sei se foi a decisão acertada, pois a areia estava fofa e tivemos que empurrar um longo trecho, mas eu estava refeita, feliz e salgada, pedalando livre de biquíni e pronta pra chegar no paraíso. Valizas é um povoado meio hippie, com pouca estrutura mas com muito charme. Eu tinha amigos ali e conhecia um hostel pitoresco no meio das dunas. Mas ao chegarmos sedentos e cansados em busca de um banho e cama encontramos tudo fechado. Imediatamente estendemos os isolantes ali mesmo na areia com sombra e descansamos por meia hora exaustos, deitados no chão como indigentes. Eu imaginava se meu primo já havia passado por aquilo, e ri da situação pensando como nos adaptamos facilmente nas adversidades, e nas facilidades, já que em meia hora éramos outras pessoas, num confortável hostel colorido com wifi e ar condicionado.
Um dos segredos de êxito de uma viagem confesso ser a logística e o mínimo de conforto. Eu já havia pedalado no sistema seja o que deus quiser e confesso que planejando, pensando, descansando, escolhendo lugares legais para parar, é tudo mais divertido e prazeroso, e você tem mais chance de chegar aonde quer. Um bom banho, uma boa comida, uma janta legal, tomar um vinho e se organizar para poder parar em um lugar legal mesmo sendo ele mais caro pode salvar seu tempo e sua disposição uma vez que você não vai precisar ficar longas horas barganhando, pechinchando e procurando um camping ou hostel com vinte pessoas pra dividir banheiro com você.
O terceiro trecho para mim era desconhecido e os 48km foram tranquilos e pitorescos e conseguimos chegar na linda praia de La Pedrera ainda a ponto de curtir um agradável final de tarde e um hotel bonito e vazio a beira mar. Mas como nem tudo permanece a nosso favor o tempo todo, o tempo ventoso que havia nos castigado fortemente no segundo dia, se transformou numa imensa tempestade de chuva e vento nos forçando a permanecer encerrados em nosso reduto uruguaio de internet a vontade e salas espaçosas. O mais incrível era perceber nossa inquietação para estar na estrada novamente, mas aproveitamos para nos alimentar, planejar o próximo trecho, descansar as pernas, lavar roupas, mandar fotos para família e amigos e ainda conversar, passear e comer. Ah, comer. Eu estava com medo de voltar mais gordinha ainda dessa maratona de exercícios, visto nosso prazer familiar por doces, pizzas e mais doces. E o Uruguai definitivamente não é nem de longe um país para sacrifícios, já que eles tem a melhor farinha, consequentemente o melhor pão, o melhor doce de leite e as melhores padarias e supermercados para o meu gosto no planeta.
Mas após praticamente um dia inteiro parados, no outro dia saímos ao nosso próximo destino, depois de ter ficado um dia com 25km somente de movimentação, onde aproveitamos para conhecer La Paloma e um lindo resort com cabanas e tendas na beira da praia.
 Eu estava eufórica com a possibilidade de pedalar 87 km e ainda cruzar uma lagoa chamada Laguna de Rocha, mas nem de longe eu imaginava como seria surpreendente, maravilhoso e belíssimo este trecho. Pedalamos uma longa estrada de chão após o asfalto, então chegamos numa imensa lagoa em frente para o mar, com pescadores e barcos, uma areia fina e um verde infinito. O vento era forte e frio e o gentil pescador colocou as bikes no barco, eu me acomodei mais confortavelmente do que pensava e definitivamente 'El Cruce' talvez tenha sido o ponto alto dessa viagem...dos momentos a se recordar para sempre.
Os próximos trechos foram maravilhosamente surpreendentes. Era um Uruguai completamente desconhecido para mim, com barcos, estradas asfaltadas a beira da praia, estâncias em meio ao mar, marinas, centrinhos pitorescos, casas floridas com nomes próprios e telhados rústicos mas sofisticados. Dormimos em Punta Del Este, Piriápolis passando por Punta Colorada, Solís, La Balconada e outras preciosidades. As rodovias nos castigavam um pouco, sol e muitas lombas. Entramos pela Interbalneária de beleza inconfundível, a estrada de chão me tranquilizava um pouco, mas rendíamos bem seja no asfalto ou na terra, com minúsculas paradas para água e barrinhas e um ritmo constante de 10 a 15km/hora.
Para o último dia traçamos um desafio auspicioso. Eu havia dito ao Beto que queria chegar a Montevideo, queria cumprir o objetivo, pois no início especulamos uma meta, mas não definimos se realmente chegaríamos a ela, pensamos em deixar o ritmo e a os dias decidirem. Ouvimos pessoas no caminho duvidando do destino, pelo pouco tempo restante, mas ao final do antepenúltimo dia vimos ser factível, e acordamos bem cedinho para 7h estarmos na estrada para mais ou menos 90km finais. Minha estratégia era desfrutar, respirar e pedalar sem pensar muito. Eu não poderia deixar a ansiedade ou o medo de não conseguir chegar perto pois não teríamos paradas ao longo dos 90km e não estava nos planos acampar no meio da estrada. Logo ao pegarmos a rodovia após os 20km da beira da praia uma chuva torrencial nos pegou. Ensopados, seguimos. Eu avistava as gigantescas lombas na estrada e me concentrava em mudar a marcha leve conforme ia progredindo e trocar para as pesadas nas descidas, concentrada em tentar visualizar possíveis buracos no acostamento com meus óculos completamente embaçados mas necessários. Quando a chuva melhorou um pouco pude constatar o estado deplorável dos meus alforjes já que eu não havia colocado a capa impermeável para não perder tempo, mas a essas alturas roupas secas já não me preocupavam muito, já que era supostamente o último dia. Veio um sol escaldante e, sem parar de pedalar, nos secamos e começamos a sentir calor. Então chuva de novo. E sol. Ainda restavam 50km. Constatamos o sucesso de nossa estratégia pois ainda teríamos a tarde inteira para os 40km restantes mas eu só pensava em baixar a cabeça e pedalar freneticamente e ao fim do percurso alcançamos 15km/h e eu me via pedalando num ritmo intenso mesmo exausta. O mais curioso é a escala de tempo, pensávamos conscientemente já estar no objetivo ao cruzar o Aeroporto de Montevideo mas sabíamos que ainda faltaria uns 20km até nosso hotel!!!
Chegando na rambla confesso que o movimento de euforia era misturado a um pouco de mau humor e desejo desesperado por banho e descanso. Meu corpo ora tremia de frio e um pouco de desidratação, pois mesmo bebendo bastante água acredito ter sentido muito calor e o sol forte forçou um pouco além da conta meu sistema de regulação. Comemos uma pizza e uma Patrícia até nos sentirmos refeitos e a nostalgia já começava a alcançar nossos olhos e coração. Eu ainda teria mais alguns dias no Paisito, mas a sensação de estar na estrada, essa incomparável, sentiria com certeza muita falta.
O prazer do dever cumprido, da superação de limites e expectativas te traz um aquietamento e ao mesmo tempo uma alegria genuína. Correu tudo bem, nenhum pneu, nenhuma peça, nenhuma dor ou enfermidade. Estive o ano todo com dores de cabeça, gripe forte, alergia, dores de estômago. Sofri com arritmia, dores musculares e uma semana antes da viagem paralisei o lado esquerdo, braço, ombros e costas, pensamentos embutidos, contidos, paralisantes. Viajar não é perigoso, não mata, não adoece....a rotina sim, essa é fatal. Ela engessa sonhos e nos faz esquecer quem realmente sonhos.
Escrevo sentada da varanda de minha cabana alugada no Uruguai, nesse meu resto de vida, nesse meu resto de placer. Mais um par de dias estarei em casa, com a tarefa de manter acesa a vontade de ser livre, ser alegre, ter desafios e bons amigos, trabalhar sim, sempre, mas nunca esquecer do primordial, do prazeroso, do vento no rosto, da água do mar e salitre nos cabelos, das pernas enrijecendo, do coração pulsando, do pôr de sol alaranjado nas marinas, do caminhar com meu mate sencillo, dos telhados de palha e portas de madeira, do luxo em forma de simplicidade, do novo, do belo e do mais importante: nutrir la vida con entusiasmo!

Montevideo, rodoviária. O dever cumprido e o sorriso no rosto

Bandeirola na Janis Joplin como prova do feito

Acomodando as bicicletas no bagageiro do ônibus na volta

Mãos engraxadas fizeram parte da volta, mesmo bem acomodados no ônibus de primeira classe

Uma das pousadinhas confortáveis e rústicas do Uruguay

Exuberância





























sexta-feira, setembro 23, 2016

Como vai a vida?

Muitas vezes me pergunto como vai tudo, como está a mudança, como vai essa história de 100 itens, na minha casa e na minha cabeça. E não está, ou está indo, com o perdão do gerúndio, como todo fluxo, de paz no fluxo, como disse uma aluna explicando tudo mais o que se pode desejar.

Minha casa miniatura tá lá, eu cá, sem quarto, mas uma gostosura. O melhor de tudo é descobrir a falta de pressa, o não está ainda, o vai ficar. A varanda tá um pandemônio, ainda tem caixa, ainda tem coisa pra jogar fora, papel que não serve mais, pregos e parafusos para dar fim, e como tudo, vai no seu tempo, vai que dá, eu não tenho pressa. Final de semana é desculpa pra cortar grama e plantar pimentões e compostagem é minha mais nova paixão e descoberta, e, pasmem, era meu assunto de MESTRADO, acreditem. Mas como a prática é toda a vida superior a melhor academia, eu estou aprendendo com meu sogro, com meus alunos e no Curso de Hortas, sim, eu me dei ao luxo de reservar um final de semana mágico para um curso de hortas, no Sítio Amoreza, um dos lugares mais mágicos de Amor e Natureza para se visitar. Um rio caudaloso e cristalino, prática de yoga, comida vegana e uma boa desintoxicação para uma professora de yoga comedora de pipoca de caramelo, pessoas do bem, por um bem comum, uma prosa maravilhosa e um bem viver sem igual.

Mas voltando ao meu projeto de casa, eu ainda tenho um monte de coisa pra resolver, arrumar, dar cabo, ajeitar, está longe de estar como deveria ou poderia, está longe dos 100 itens, mas já tem coisas bem legais e vamos a elas.

Eu tenho só um armário de roupas, mas tenho ainda roupas de verão para arrumar e ao meu ver ainda tenho muitos sapatos. Eu tenho uma luminária linda e minha sala/casa é bem colorida: amarela, preta e branca na cozinha e um sofá, ah, meu sofá. Me desculpem, mas meu sofá é dos sonhos e foi produto da venda dos meus outros móveis, eu troquei tudo por um sofá, não fiz bem? Para não pensarem que vivo com isopor e fogo de chão (seria legal, hein) eu tenho geladeira da casa e fogão embutido, lareira, televisão e ganhei um DVD. Máquina de lavar roupas. Viram, um monte de coisa. E uma secadora não instalada, outras providências a serem pensadas, instalar? Vender? Arrumar? Minha cama ainda é a antiga e ainda estou com o projeto da cama suspensa de madeira, estava esperando passar o inverno e toda a mudança para dar uma respirada e pensar direito nessa opção. E na rua ainda tenho uma mesa enorme de madeira.

O maravilhoso de tudo isso é o autoconhecimento que traz, é o processo, é o mudar. Eu me dei conta como é preciso ter paciência, persistência, determinação e mesmo disciplina para ter uma nova realidade na vida da gente, para se ter um plano, um resultado diferente. O colocar a mão na massa, o ter o planejamento, o reservar um tempo para. Eu tenho elegido prioridades diferentes na vida, tenho gostado de outras coisas, e acho que tudo isso tem a ver com a casa, tem a ver com esse processo todo. O estar em mim, quieta, no meu universo particular, o descobrir meu SATHYA, minha verdade, minha essência. Antes minha maior missão, alegria, prazer e ocupação era viajar para escalar, mesmo escalando devagar, o devagar e SEMPRE era meu maior ofício. Eu me entediava no mesmo lugar, eu não gostava do dia a dia, não achava graça na conexão, na entrega, no persistir, seja no lugar, seja com as pessoas. O cuidar me angustiava, e o viver parecia ser estar em movimento. Eu hoje aprecio o movimento, o sentir a vida pulsar, o vento no rosto, o desconhecido, novo, mas consegui visualizar que para isso ter sentido e realmente ser novo e apreciado o dito normal deve ser curtido, vivenciado, amado, até. Para mim, deixo bem claro. O chegar em casa e passar um café, sentar em silêncio com os cachorros e seus olhares cúmplices, o caminhar na praia, o trabalhar o dia todo, o dinheiro certo ao final do mês, o conversar do final do dia, os domingos já não solitários.

Com a casa na praia, bem pertinho, eu descobri o velejar. O subir no barco, mãos no leme, escota forte, manejando as velas, pela primeira vez sozinha, talvez tenha sido um dos dias mais felizes da minha vida. Eu descobri ali um substituto, talvez temporário, para as montanhas. O vento forte, o desafio e a auto superação, o aprendizado, a independência, a aventura. O rosto completamente molhado e os pés encharcados e insensíveis pelo frio, a roupa inadequada, o sentar desajeitado na popa com o corpo ainda acostumando a um ambiente totalmente desconhecido. O linguajar difícil e o único um pouco familiar são os nós das cordas, ops, dos cabos. Quando estou na lagoa, me sinto viva, pulsante, descobrindo um novo mundo, mesmo sentimento familiar ao ir pela primeira vez na Casa de Pedra em Bagé, um mar de montanhas do pampa, e todas as outras tantas idas pra lá, ou pra Caçapava e Minas do Camaquã. Quando subi o Escalavrado na chuva, inexperiente, ou ainda tentei a Italianos, ao meio dia, ou com sucesso escalei uma via inteira no Babilônia e na Urca, sentindo a plenitude de um dia de sol. Me sinto aventureira, como na primeira vez e as 3x depois, no Morro do Anhangava, ou no Morro da Cruz, Alfredo Wagner, Pedreira do Abrãao, Canastra, Baú, Pedra da Divisa, e tantos outros lugares lindos impossíveis de enumerar, comparar ou reviver. Uruguay, Itacolomi, tão recente, Ivoti, sempre meu favorito, Pedreira de Pelotas, a qual não tenho muito apreço, não sei porque, outros não lembro o nome, indo para Laguna, uma outra no Paraná, difíceis, tantas aventuras, tantas idas, tantos amigos, tantas recordações.

Mas a vida segue, sempre reinventando, aproveitando, descobrindo, estranhando sim, a gente muda e, como na casa box, custa a se recolocar, custa a se entender, custa a colocar tudo no lugar. Tudo é uma questão de perspectiva, de olhar positivamente e de sempre esperar e prever o melhor. Quanta coisa a gente ainda vai viver de legal, o tanto de sentimento bom por descobrir, por aprender, não precisamos ter medo do novo, nem de mudar. O colocar as coisas de lado permite um monte de coisa nova entrando outra vez, permite experienciar coisas inimagináveis, inatingíveis na nossa cabeça antiga. O se permitir sem medo de viver o impensado e improvável pode trazer muita coisa boa mesmo no início parecendo o caos na terra.

 
Se alguém me perguntar se mudar é um mar de rosas, eu sorrio e lembro dos dias com vontade de entrar nas caixas de papelão, com medo da vistoria, com medo do dinheiro, com medo das obras da casa antiga, da casa nova, com medo de não dar conta de nada. Mas é só lembrar da minha primeira tarde na casa, sem luz, com meia dúzia de roupas, sentada de calça xadrez e óculos azul, com a cama no chão, e bate misteriosamente um amigo de infância e sua esposa, não sabiam que era minha casa, gostaram dos cachorros e pararam, entraram, minhas primeiras visitas, e me encheram de sorte, de alegria, de certeza de estar no caminho certo, o caminho de LUZ, que atrai mais LUZ, e de todas amigos, família e amores mandando boas vibrações e curtindo junto minhas conquistas.


Um desejo de bons ventos a todos e de serenidade nas tempestades, e abaixo algumas fotos de uma longa caminhada que nunca será esquecida e que sempre trará fôlego, coragem e alento para OUSAR  e VIVER MAIS, VIVER PARA SER!
#paznofluxo












 
 

sábado, agosto 06, 2016

No habemus luz

Já se vão alguns dias da minha mudança e eu ainda acho que tenho mais de 100 itens, e não parei ainda pra contar. Mas tenho me desviado um pouco desse objetivo estando de volta ao ritmo total de trabalho. A vida de uma professora de yoga, ao contrário do que a maioria pensa, é deveras corrida. Eu acordo bem cedo e dou aula até bem tarde (21h) com poucas paradas de descanso durante o dia, horas essa que tenho ocupado com café e pretendo cortar essa extravagância calórica com urgência. Os ajustes, burocracias, consertos, encaixotamento, transporte, frete, instalações e incomodações da casa nova e velha parecem nunca acabar. Uma tarde inteira na companhia de luz e não vou conseguir ligar nada pois nao tem o poste, um caminhão de mudança pela segunda vez, e o armário tinha cupim e minha amiga coitada ficou sem armário, um teste no chuveiro instalado e a luz emprestada do vizinho cai por sobrecarga, para meu pavor e vergonha. Mas em compensação, comecei minha mega horta, tenho espaço de sobra! Consegui mudas de alface, alcachofra, cidrão, couve manteiga, repolho roxo (eu não gosto, mas são lindos), manjericão, pimenta e mais um monte de coisa. Meu pátio é enorme, tem até uma piscina antiga, e apesar da cor beringela é bem simpático. Hoje também comprei uma pipoca de microondas, e lembrei que não tenho luz, mesmo muito feliz de o dono da casa ter me deixado o microondas, então decidi fazer no fogo, o que resultou numa melecada e gordurosa pipoca doce, achei uma delícia. Chove bastante nessa tarde de sábado e eu ainda tenho uns cabides e outras sujeiras para tirar da casa velha, além de amanhã ir o cara do jardim e faxineira para a última retocada. 
Mas vamos as boas coisas. Li um artigo bem inovador sobre casas de papelão. Calmem, não será meu próximo passo, mas poderia, as wikkelhouses são construídas com blocos de papelão impermeáveis e de bom isolamento térmico. Por fora, ela é finalizada com madeira, mas mesmo assim o custo é relativamente baixo e o acabamento uma graça. Criadas pelo estúdio  holandês Fiction Factory são outra alternativa a serem estudadas, para cada caso uma escolha, e isto é animador. 
Eu confesso hoje estar um pouco cabisbaixa por estar sem luz, ainda tendo que lidar com caixas, roupas, arrumações e doações, mas pretendo me animar lendo o livro da Jessica Watson de16 anos, velejadora da volta ao mundo mais precoce, sozinha em um veleiro pequeno, ela com certeza deve ter passado provações bem maiores que essas minhas urbanas. 

Minha pipoca de microondas só que feita no fogo, uma delícia #sqn

Hoje tive que colocar minha antiga cama no canto, já que,não ficou pronta a suspensa, mas,confesso que foi uma delícia não ter dormido no chão 

Me sentindo forte em ter colocado a prateleira no lugar

Eu mesma fixei a luminária mais linda desse planeta, presente da querida Aline, do Seu Quintal Decorações. Usei martelo e persistência porque não tenho luz pra furadeira, ora bolas.

O fogo não pára nessa humilde residência, assim como o frio também não 
MINHA HORTA, MINHA HORTA, MINHA HORTA!!!!

Minha composteira, enfim vou colocar em uso meus conhecimentos do Mestrado! 

E não é a coisa mais linda da vida? 

Eu e minhas poderosas ferramentas.

Aqui tem lugar pra todo mundo ❤️